Análise: KaBuM versus PEX no Wildcard

Por: LeonButcher

Com a vitória sobre a PEX no International Wildcard 2014, a KaBuM se tornou a primeira equipe brasileira a garantir vaga em um Mundial de League of Legends. Apesar de sofrer pressão da PEX, principalmente no começo das partidas, Danagorn e seus companheiros conseguiram manter a cabeça fria e controlar a série, que terminou em 3-0 para os brasileiros.

JOGO 1

Era de se esperar que o primeiro confronto demorasse mais que o normal. As equipes haviam se estudado muito, mas quando se entra em jogo é bem diferente. A equipe da PEX, antes da série vista como inferior à KaBuM, começou ganhando em invasão de Danagorn: Badmilk (Braum) ajudou sua equipe, que com a presença do suporte tinha vantagem numérica, e assim dois abates foram conquistados para os latinos. Mesmo com o Dragão conquistado depois, a PEX só empatava em ouro com a KaBuM, que fazia um excelente trabalho na coleta de recursos e número de tropas abatidas. Ainda assim, os brasileiros pecavam em alguns quesitos, e em um posicionamento errado de TinOwns (Orianna), a PEX conseguiu mais um abate e outro Dragão. A essa altura do jogo (20 min), o que segurava a KaBuM era a pressão que eles colocavam nas rotas, tendo destruído três torres enquanto a equipe de Fragio só havia destruído uma estrutura. Os brasileiros jogavam passivamente, e ficava claro que eles tentariam empurrar o jogo para as fases mais tardias, fazendo valer cada tropa abatida bem como a composição com Orianna e Tristana. O grande problema era a linha de frente da PEX, que contava com Maokai e Braum, e ainda com um Ryze que conseguia segurar bastante dano atrás. Tudo isso piorou quando, em erro de posicionamento da equipe brasileira, a PEX conseguiu um excelente Barão de graça, ganhando a luta de contestação logo na sequência. À KaBuM então, restava tentar um bom combo do Alistar de LEP e da Orianna de Tin, que começava a se destacar, sendo o primeiro jogador a completar seus itens. No entanto, o ponto de virada para os brasileiros veio em uma jogada de Danagorn (Kha’Zix), que tinha sua escolha de campeão contestada pela torcida. O caçador saltou dentro do covil do Barão e roubou o objetivo das mãos de Fragio, lutando e empatando por 2-2, mas levando a torre do inibidor do meio como prêmio final. Empatando em ouro e conseguindo boas iniciações, a KaBuM conseguiu abater MANTARRAYA (Maokai) e levar o inibidor do meio, a torre e o inibidor do topo sem contestação dos latinos, garantindo uma boa vantagem para pressionar a PEX e vencer a primeira partida de virada.

JOGO 2

Como a vantagem no placar, era de se esperar um jogo mais focado e consistente da KaBuM na segunda partida. Mas ainda assim quem abriu o placar de abates foi novamente a PEX. Com mais uma subida de Badmilk (Nami) para emboscar o meio, Uri (Yasuo) conseguiu eliminar Tin (Orianna) e abrir caminho para o primeiro Dragão da partida. Mesmo com o adversário pressionando, a KaBuM conseguia novamente uma boa coleta de recursos, e não demorou para construírem uma boa jogada, que resultou em um Dragão e um abate sobre MANTARRAYA (Ryze). A equipe brasileira abria certa vantagem no ouro, e a partida parecia se inclinar para Tin e seus companheiros, mas uma boa jogada de Badmilk e Uri resultou em um double kill para o Yasuo na rota inferior, acendendo a luz de alerta para a KaBuM. Parecia que seria novamente um jogo longo, mas foi basicamente até aqui que a PEX jogou. No resto da partida, Tin (Orianna) novamente encaixava excelentes ults, combinando-os com a Morgana de dans. Os latinos não conseguiam parar o LEP de Irelia – aliás, a Irelia de LEP –, além do Kha’Zix de Danagorn e os foguetes da Jinx controlada por Minerva. Era muito dano contra uma equipe composta para as fases mais tardias do jogo, fase esta que a KaBuM fez questão de não deixar chegar. Após excelente chamada, os brasileiros pegaram a PEX fora de posição e conquistaram um ace em luta 5-1, fazendo o Barão e o Dragão logo na sequência e disparando na contagem de ouro. Como é conhecido da equipe, Minerva e seus companheiros não se apressavam em terminar o jogo, conquistavam uma vantagem, recuavam, destruíam um inibidor, recuavam... E isso fez com que a PEX ficasse de fora da partida, observando as rotações brasileiras. Depois de pegar Fragio (Elise) fora de posição, a KaBuM varreu a rota inferior e terminou a partida.

JOGO 3

Apenas uma partida. Era isso que separava a KaBuM e o Brasil da primeira participação em um Mundial.

A confiança crescia na equipe de LEP, e isso era bem nítido. O first blood foi para a equipe brasileira desta vez, em ótima contra-emboscada de Danagorn, que finalmente conseguia jogar com sua Vi. Combinando boas chamadas, Minerva e dans conseguiam abates na rota inferior, não dando chance para MegaJP (Tristana) entrar na partida. O atirador da KaBuM, inclusive, conseguiu uma excelente jogada com o ult da Jinx, lançando o foguete da base e atingindo um dos jogadores da PEX para conseguir o abate e abrir caminho para a equipe levar a primeira torre do meio. Para cada ação dos latinos, a KaBuM conseguia o dobro de vantagens, o que fez com que a equipe brasileira escalasse a vantagem em grande nível. Grande exemplo foi quando Minerva foi pego fora de posição e os brasileiros lutaram 4x5 sem seu principal causador de dano, e ainda assim empataram a luta em 2-2 e levaram a segunda torre do meio. Simplesmente não havia luta em que a equipe de Danagorn ficasse em desvantagem. Quando Fragio (Kha’Zix) foi pego fora de posição e a KaBuM escalou sua eliminação em mais três abates, era óbvio que não haveria volta: era questão de tempo para a série acabar. Apenas dois minutos depois, isso se concretizou. Depois de conseguir dois abates, a KaBuM se via destruindo todas as estruturas da rota topo, parando apenas no Nexus inimigo e dando o passo final.

Era a primeira vez que uma equipe brasileira chegava tão longe no cenário internacional. Pisando pela primeira vez em um campeonato sob os olhos de todos os jogadores no mundo, e com o sonho mais vivo que nunca de ter em mãos a Copa do Invocador.


5 years ago


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