Campeonato Brasileiro: a retrospectiva dos narradores

Por: buenout

O Campeonato Brasileiro de 2013 durou só três dias, mas vai ficar marcado por muito tempo na memória dos jogadores e do público. Ao longo dos 15 confrontos entre as 8 principais equipes do país tivemos grandes surpresas, revelações incríveis, momentos emocionantes e partidas disputadas até o final. 

RMA e Nex Impetus, que não eram favoritas, chegaram às semifinais, com atuações impressionantes de jogadores como X (RMA) e Digolera (Nex I). Do lado das favoritas, a Keyd caiu logo na primeira fase, e a final ficou com CNB e paiN, que já haviam se cruzado na fase de grupos. 

Para relembrar alguns desses melhores momentos e refletir sobre a realidade brasileira no cenário competitivo, conversamos com Bruno “LeonButcher” Pereira e Diniz “Gruntar” Albieri, que narraram o campeonato ao lado de Gustavo “LoLDuBR” Docil. Narradores, é com vocês!  

Qual foi a maior surpresa do Campeonato Brasileiro?
LeonButcher: Foi a eliminação da Keyd logo na fase de grupos por 0-3. Com o primeiro “seed” e tendo ganhado duas das quatro classificatórias, a equipe era uma das favoritas para o título, e também um dos times com mais torcida.
Gruntar: Acredito que tenha sido a eliminação da Keyd na primeira fase. RMA e Nex Impetus surpreenderam bastante.

Qual o momento mais marcante?
LeonButcher: O final da primeira partida da melhor de cinco na final: 55min de partida e um final daqueles! Várias viradas no jogo, e os tropas levando a base da paiN quando a CNB perdia seus jogadores e tinha seus inibidores destruídos. 
Gruntar: O primeiro jogo da final entre CNB e paiN foi sensacional. Quase uma hora de duração, ambos os times com chance de vencer e um nexus destruído por supertropas. Simplesmente sensacional.

Alguma atuação individual que você gostaria de destacar? 
Gruntar: Tivemos jogadores mandando muito bem durante todo o campeonato. Fica um pouco complicado destacar uma atuação específica, mas vale citar a combinação Thulio e Kami nas partidas da final, conseguindo anular o Takeshi.

Como você avalia o desempenho da PaiN?
LeonButcher: SirT e Espeon demonstraram um nível absurdamente maior desde o último campeonato que a paiN jogou. Kami continua sendo um dos principais jogadores brasileiros e só tem 17 anos. É um jogador com potencial e talento para melhorar muito mais ainda. Gostei da melhora na atuação do brTT, que não começou tão bem o campeonato mas ao chegar na semifinal ele cresceu muito e começou a carregar a equipe. O Venom, que muitos consideravam o ponto fraco da equipe, foi uma surpresa muito boa ao vermos que ele não se inibia nas lutas de equipe e seguia uma estratégia de farmar e dar split push até ficar forte o suficiente.
Gruntar: Foi um desempenho sólido. Tiveram cabeça para superar as dificuldades e jogaram com inteligência montando as estratégias necessárias para vencer. Todos os jogadores tiveram participações importantes em determinados momentos do campeonato, e acho muito importante que Xpeon e Venon tenham tido a oportunidade de se firmar no time.

Falta muito para as equipes brasileiras atingirem um nível internacional? Em que pontos nossas equipes precisam melhorar: comunicação, escolha de Campeões, estratégia, tomada de decisões...? 
LeonButcher: Com certeza estamos mais perto de um nível internacional após este campeonato. As equipes estão fazendo o papel delas, mas falta mais investimento de empresas para que os jogadores possam se dedicar única e exclusivamente com o jogo, e assim começar a criar estratégias, não importá-las. Grande parte do jogo é jogado mentalmente na fase de “picks e bans”. Neste quesito acho que os times brasileiros ainda podem melhorar um pouco. Também me incomoda o fato de que não controlamos muito bem os objetivos (Barão e Dragão), e também às vezes demoramos muito para fechar um jogo mesmo tendo uma vantagem grande.
Gruntar: Estamos evoluindo desde organização e estrutura (“gaming houses” e parceiros investidores) até estratégias, treinamentos e gameplay. Com o cenário em expansão e profissionalização a tendência é que os times que estão no topo alcancem um maior nível de excelência e que novos times e jogadores possam se aperfeiçoar. Se tivesse de destacar um ponto concreto, diria que é importante treinar mais o “late game”. Às vezes as equipes brasileiras fazem uma ótima fase de rotas, mas depois não conseguem abrir vantagem suficiente para matar o jogo. 

Qual a região mais forte entre aquelas que vão se juntar ao Brasil na Gamescom (Oceania, Turquia, Rússia, América Latina)? 
LeonButcher: Temos que ficar de olho em todas. Como são regiões novas como o Brasil, elas não têm o seu próprio “metagame” e também importam das outras regiões, o que faz com que seja mais difícil estudá-las. Turquia e América Latina, no entanto, parecem ter as equipes mais bem preparadas, seguidas de perto pela Rússia e, um pouco depois, Oceania.

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E você, gostou do que viu nas partidas do Campeonato Brasileiro? Não esqueça de conferir as estatísticas dos confrontos no site CBLoL e os vídeos arquivados em nosso canal no Twitch.TV. Em breve voltaremos com mais notícias da Gamescom, no torneio em que a PaiN vai lutar por uma vaga no Mundial. 


5 years ago