Guia de Sobrevivência: Regionais LCS NA

Por: LeonButcher

O Caminho para o Mundial

Você assistiu as suas equipes preferidas do servidor americano batalharem em 11 semanas da LCS. Equipes favoritas falharam, outras novas surpreenderam e grandes reviravoltas aconteceram. Agora, as seis melhores equipes estão definidas para arriscarem-se nas eliminatórias. As quartas-de-final acontecerão no conforto dos estúdios da LCS, mas das semifinais para frente, os gritos e barulhos da torcida na PAX Prime serão companheiros dos jogadores que se digladiarem pela chance de uma vida: se classificarem para o Mundial 2014 de League of Legends. São três equipes classificadas para representar o servidor na maior competição do ano. Já os que não se classificarem, terão que disputar o Torneio de Promoção e se defenderem das equipes da Série dos Desafiantes NA. Quem não conseguir ir até a PAX Prime, acompanhe conosco em lolesports.com para transmissões, análises e notícias.

Os times da LCS NA têm origens variadas. Metade delas – Team SoloMid, Counter Logic Gaming, Team Dignitas e Curse Gaming – datam lá da Primeira Temporada, com isso notícias não faltam, bem como fãs ferrenhos. Estas quatro equipes permanecem na LCS desde a sua criação, e são o alicerce do LoL competitivo na região.

Por outro lado, Cloud9 e CompLexity são adições recentes, uma dominante e outra na crescente. A Cloud9 só está presente há três temporadas de LCS, mas venceu a temporada regular de todas elas. A CompLexity lutou com unhas e dentes para voltar à elite depois do rebaixamento em 2013, e se estabeleceram como uma equipe batalhadora esta temporada.

Finalmente, LMQ e Eliv Geniuses são times imigrantes da China e Europa, respectivamente, fazendo da região NA uma das mais unicamente diversas. Evil Geniuses, mesmo com sua origem européia, sempre teve um relacionamento próximo com a América do Norte, visto que já disputaram competições sobre o nome de CLG.EU. A LMQ deixou a LPL e encontrou uma casa no cenário desafiante americano. Desde então, eles têm escalado e batalhado para chegar à LCS, onde cultivaram uma ávida base de fãs devido ao estilo agressivo de jogar.


A história da América do Norte

Uma única palavra pode resumir o histórico internacional da América do Norte: decepcionante.

Todas as outras maiores regiões já tiveram representantes em uma Final Mundial pelo menos uma vez, com Coreia e Europa aparecendo duas vezes. A América do Norte, por outro lado, nunca não só chegou numa grande final como também não passa das quartas-de-final desde o Campeonato Mundial de 2010, na Dreamhack.

Naquela época, League of Legends estava na sua infância, com poucas coisas no caminho de um meta estabelecido de fato, quanto mais um cenário competitivo. Seis das oito equipes classificadas eram ou da Europa ou da América do Norte, com dois representantes asiáticos do que agora chamamos de GPL. O cenário americano detinha os jogadores mais conhecidos do cenário, incluindo alguns que permanecem jogando, como Dyrus, Doublelift, Westrice e Xpecial.

Em um primeiro momento, parecia que as estrelas americanas liderariam a região para a dominância do resto, ao lembrarmos do histórico de 7-2 que Epik Gamer, Team SoloMid e Counter Logic Gaming conseguiram na fase de grupos. Entretanto, assim que a parte eliminatória começou, os times da Europa dominaram os confrontos e não deram chance aos americanos, visto que os habitantes do Velho Continente possuíam uma arma secreta. Esta arma? Ah, sim, o meta atual de disposição nas rotas. Os times da Europa colocavam Atiradores junto dos Suportes na rota inferior, e com esta estratégia em mãos conseguiram ambos os lugares na grande final. De fato, os três times da América do Norte juntos tiveram um histórico de 2-8 contra os então finalistas, aAa e Fnatic (que viria a ganhar).

Já em tempo para o Campeonato Mundial da Segunda Temporada, os americanos haviam perdido ainda mais do entendimento do cenário internacional. A TSM conseguiu um passe direto para a parte eliminatória enquanto as outras duas equipes do NA, Dignitas e CLG disputaram a fase de grupos. Nenhum dos dois passou, e a SoloMid foi derrotada por 2-0 pela Azubu Frost logo no primeiro confronto, e voltou para casa com os compatriotas.

Não é que os jogadores não eram bons. Na verdade, Doublelift era um dos principais Atiradores de todo o mundo - porém, a região falhou novamente em acompanhar o meta que mudava. De jogo em jogo, os times da América do Norte perdiam na guerra de objetivos, deixando Dragões e Barões aumentarem a contagem de ouro para os adversários, mesmo nas partidas em que o abate de tropas e eliminações de campeões era parelho. Até mesmo a renomada TSM foi deixada para trás pela Azubu Frost só em dragões e ouro.

Com tudo isso, na Terceira Temporada a América do Norte veio sedenta para mostrar um desempenho melhor em palco internacional. Novos times e jogadores apareceram e cresceram, e com a chegada do Mundial, a TSM havia perdido o trono para duas equipes novas no NA, Cloud9 e Team Vulcun. Esta era a quintessência de um time norte americano, já que era feito por incríveis talentos das filas ranqueadas do servidor. Eles atropelaram metade do cenário com um recorde de 14-2 contra as últimas quatro equipes da LCS, e empataram em 2-2 as séries contra CLG, TSM e – notavelmente – Cloud9.

Infelizmente, na fase de grupos do Mundial, a Vulcun provou de seu apelido negativo – Throwbargains, ao ganhar de equipes consagradas como Fnatic, mas depois perder partidas após partidas por erros grotescos. No final das contas, Vulcun e TSM ficaram em quarto lugar de seus respsctivos grupos – vencendo apenas dos times classificados pelo Torneio Wildcard, e falhando em avançar para a próxima fase.

Assim, a Cloud9 permaneceu como última esperança do servidor norte-americano. O que fazia deles a maior esperança para o servidor? Primeiramente, eles batalharam e observaram do topo todas as outras equipes NA. Na temporada de estreia, eles foram protagonistas de uma avalanche: 25-3 na fase regular, perdendo jogos apenas para CLG e Vulcun, e procedendo para as eliminatórias, aonde varreram os adversários da mesa. No entanto, o mais interessante é que eles pareciam ser a mudança que o cenário americano precisava. Antes da Cloud9, o pensamento dos times da região estava errado. Todos estes jogadores originais do NA transmitiam suas partidas da fila solo, e isto ficava claro na linha de pensamento deles. Queriam ser os melhores, mas não sabiam admitir suas fraquezas ou aprender com os outros.

O que realmente separou a Cloud9 de outros times do cenário norte-americano – e os aproximava do estilo coreano – era o foco intenso na teoria do jogo.

Primeiramente, a Cloud9 se esforçava ao limite para reverter qualquer desvantagem – especialmente abates – em objetivos de meio de partida: dragões e torres. A equipe destruiu 253 torres, 39 a mais que o segundo melhor lugar no quesito; e 68 dragões, 8 acima do segundo concorrente. E juntando à isso, foram a segunda melhor equipe a fazer Barões, 26, apenas dois atrás dos 28 da Vulcun.

Segundo, a Cloud9 possuia um analista, suprido pelo icônico caderninho carregado por LemonNation nas fases de escolha de campeões. Ambas estas ferramentas deram à Cloud9 um grande senso de objetividade e humildade, o que os dirigiu para jogadas calculadas e obsessão em melhorar por parte de cada jogador no time. De forma final, isto foi o que a Cloud9 importou da Coreia, a ideia de que outras equipes e regiões tem algo para lhe ensinar, pois “jogadores que acreditam que são os melhores se recusam a olhar para outros, e assim se recusam a melhorar”, nas palavras de LemonNation.

E ainda assim, no meio de tantas esperanças, a Cloud9 caiu perante a Fnatic por 1-2 nas quartas-de-final. Era somente mais uma equipe americana que recebia um passe para as eliminatórias e era retirada do campeonato logo no primeiro confronto.

Então, o que aconteceu? A Cloud9 nunca havia precisado mudar sua gama de campeões muito, assim como “nunca tiveram muitos problemas por isso na LCS”, de acordo com Meteos. Em outras palavras, sem muito desafio, a Cloud9 não tinha motivos para melhorar ou mudar, e tudo isso bateu de frente com eles ao enfrentar um adversário capacitado, a Fnatic.

Desde então, a Cloud9 redefiniu o que o cenário norte-americano significa no exterior, batendo a Taipei Assassins e a World Elite na IEM Katowice, bem como Fnatic, Taipei Assassins e até OMG durante a fase de grupos do All-Stars. (Com o tempo, eles perderam para os chineses da OMG durante as eliminatórias).

Então o que faz do Mundial 2014 algo tão importante para a América do Norte? Eles ainda estão no aguardo de uma chance de se provarem perante um público mundial, bem como ainda estão esperando uma chance de derrotar uma equipe coreana ou chinesa em um Mundial de League of Legends. De acordo com Meteos, “todas as outras equipes (do NA) estão bem melhores esta temporada”, aprender com a Cloud9 e toda a crescente competição fizeram desta temporada a mais disputada na América do Norte em sua história. E este ano pode coroar isso como sendo o ano em que finalmente uma equipe do NA consegue o brilho em palco mundial.

Estilo de jogo

  • Antes deste ano, o estilo de jogo norte-americano era bem disperso. As equipes eram montadas ao redor de jogadores que já estavam no cenário, o que não passava de uma reciclagem do que já acontecia. A emergência da Cloud9 chocou o sistema da LCS NA. E enquanto isso demorou duas temporadas para todos se recuperarem, quando finalmente estavam todos de cabeça erguida a Cloud9 se via de frente com diversas equipes contestando sua liderança. E enquanto a C9 ainda manteve a liderança nesta LCS, as outras equipes deram muito mais trabalho, fazendo com que a equipe tivesse um recorde de 18-10, o mesmo da LMQ (que perde no confronto direto).

    Não existe um estilo em particular no cenário americano. Mas alguns modos de jogo vêm a cabeça.

  • Lutas de equipe

    As melhores equipes deste cenário tem um nível de lutas em equipe espetacular. Isso faz com que eles possam até carregar o jogo em banho-maria até o meio, perdendo alguns objetivos e até a fase de rotas, mas que quando todos se juntarem a sua melhor habilidade virá à tona. Equipes como CompLexity e Evil Geniuses tem recentemente construído a equipe ao redor de um Atirador tardio, como Tristana. No entanto, se uma equipe exemplifica o estilo de jogo da América do Norte, este alguém é a Cloud9. Em uma situação 5x5 todos os seus jogadores são um perigo para o adversário, o que permite que Sneaky (o Atirador) se posicionar melhor e devastar o adversário.

  • Controle de objetivos

    Controle de objetivos é o resumo de uma pressão pelo mapa e controle da visibilidade do oponente, assim como saber aproveitar as pequenas oportunidades, escalando uma boa decisão em outra. Um bom exemplo aqui é como a Curse bateu a Cloud9, em um jogo extremamente focado nos objetivos, com o número de dragões abatidos e torres destruídas superando o número de eliminações. De fato, após algumas conquistas de Barão, a Curse conseguiu o caminho para a vitória com um placar de eliminações de apenas 4-2 sobre a Cloud9.

  • Preparar, APONTAR, fogo!

    Em uma composição focada em apanhar um alvo único – qualquer um, mesmo – fora de posição e trancá-lo com uma quantidade grande de controle de grupo para abatê-lo, o importante é o que se segue, aonde sua equipe terá a vantagem em lutar 5v4. Isso faz com que você consiga escalar uma boa luta em outras vantagens. É um dos grandes exemplos de como a TSM joga, ao lembrarmos das escolhas de Elise por parte de Amazing.

     

Equipes

  • Cloud9 – 1º Colocado

    A Cloud9 é a equipe favorita para levar o caneco para casa. Por quê? Quatro das oito derrotas deles vieram de equipes que não alcançaram as eliminatórias: CompLexity e Evil Geniuses. De fato, eles detém o recorde de 3-1 contra todas as outras equipes desta fase, com exceção da TSM (2-2), para um histórico de 14-6 contra os oponentes das eliminatórias. Nunca antes uma equipe teve um retrospecto favorável contra a Cloud9, ou retirou eles de uma eliminatória.

    Claro, eles não estão milhas a frente de outras equipes como já estiveram, mas ainda finalizaram a temporada regular em primeiro lugar. Balls e Meteos parecem ter finalmente encontrado seu lugar no meta atual, Hai melhora cada vez mais, e Sneaky e LemonNation são a dupla mais veterana na rota inferior da LCS NA. Não espere que eles varram os adversários, mas é quase garantia que a Cloud9 seguirá entre os três melhores para levar uma vaga para o Mundial.

    O estilo deles mudou através do tempo, mas algumas coisas ainda são consistentes: a Cloud9 é conhecida por sua habilidade de virar jogos que parecem perdidos graças à sua excelência nas lutas entre equipes, alavancada pelo nível altíssimo de posicionamento de Sneaky.

  • LMQ – 2º Colocado

    A LMQ está na cola da Cloud9. Entretanto, enquanto eles possuem um recorde positivo contra todos os times americanos, contra a C9 eles esbarram em um 1-3. No começo da temporada, a LMQ era vista como uma equipe com uma fase de rotas forte, mas um controle de objetivos ruim. Desde então eles tem trabalhado para melhorar, e demonstraram um bom controle de mapa.

    O que é único neles é o jogador Ackerman. É raro que uma equipe tenha um carregador jogando na posição topo, mas Ackerman mostrou que é um dos jogadores da posição que mais impactam o cenário. Devido à sua dominação, não é de se espantar que o seu nome antes de entrar no cenário americano era “godlike”.

  • Team SoloMid – 3º Colocado

    A uma vez dominante Team SoloMid não demonstou um começo de brilho como normalmente, muito por conta das diversas mudanças na equipe titular desde o começo da temporada. Após iniciar a LCS NA com um recorde neutro de 4-4, a equipe trouxe Locodoco, um veterano do cenário coreano.

    A virada por cima da TSM foi resultado da busca incessante de novos talentos por parte da direção. Na verdade, eles são a equipe com mais talento cru do que qualquer outra, com duas lendas da LCS (Dyrus e WildTurtle), dois europeus excelentes (Bjergsen e Amazing) e o novo contratado, o suporte estrela coreano Lustboy. O peso vai cair nas costas dos técnicos e analistas do time para a sinergia do time continuar correndo nas veias dos jogadores.

  • Curse – 4º Colocado

    A Curse demonstrou uma excelente segunda parte de temporada. Após estar em 6º lugar, do dia para a noite eles conseguiram, com o esforço puro de seus jogadores, se alçarem a 4º colocado. Eles têm permanecido no topo das tabelas de First Blood e Barões feitos.

    E o que é mais importante, parece que eles finalmente aprenderam como escalar uma vantagem para a vitória, e isso é crucial para se este momento bom do time continuar. A Curse possui – à parte da C9 – a melhor relação vitória-derrota contra as quatro melhores equipes do top 4 da LCS NA, e eles só precisam subir mais um degrau para alcançar o tão desejado Mundial.

  • Counter Logic Gaming – 5º Colocado

    A Counter Logic Gaming dominou as corridas para objetivos na maior parte da temporada. Como resultado disso, quando se encontravam atrás nas partidas, sempre havia um gancho para tentar a virada. Da mesma forma, quando eles se encontravam na vantagem, agarravam-se com unhas e dentes à liderança, fechando as partidas de forma extremamente eficiente. Entretanto, mais para o final da temporada, seu desempenho foi caindo, e os jogadores pareciam não ter ideia de como virar a mesa. Por isso mesmo Montecristo, analista da equipe, mandou todos os jogadores para a Coreia para treinar, e esta decisão pode ter feito da CLG o oponente mais perigoso nas eliminatórias.

    Na temporada de Primavera da LCS NA, a CLG desanimou nas eliminatórias. Prestem atenção em como os jogadores farão para dar a volta por cima e provar que eles possuem o que é preciso para levar a vaga para o Mundial. Com toda essa história, fala aí... não seria legal vê-los no Mundial?

    Sem contar esta figura aqui!

  • Team Dignitas – 6º Colocado

    Parecendo um foguete, a Dignitas começou a temporada pegando fogo, alcançando um recorde de 11-7 e sendo aparentemente o melhor time americano. Entretanto este foguete perdeu um pouco do seu combustível perto da Semana 7, e nas últimas semanas eles conseguiram apenas duas vitórias em dez partidas. Pior ainda, estas duas equipes vieram sobre a Evil Geniuses, 7ª colocada, e os reservas da CLG.

    Se nas últimas quatro semanas algo foi indicado, é que falta na Dignitas, e esse algo pode ser Shiptur. Após começar a temporada como um dos Meios mais dominantes na liga, ele acabou por se transformar em um jogador um pouco mais passivo, safo na rota. Suas estatísticas como A/M/A, contagem de abate de tropas, envolvimento em abates, todas caíram, gerando desespero nos pontos do Fantasy de quem o utilizava.

    O Dignitas precisa nestas eliminatórias é o Shiphtur da semana 1 - um jogador agressivo e consistente:

    Nestas vias, a notícia não é assim tão ruim. Shiptur constantemente mostra bom desempenho jogando ao vivo, demonstrando na Super Semana um jogo muito mais eficiente do que antes. Adiciona-se a isso o fato que a Dignitas enfrentará a Team SoloMid nas quartas-de-final, e o recorde contra a rival é positivo: 3-1.

A região norte-americana pode parecer atualmente um cenário complexo, especialmente com equipes dominantes como Cloud9 e LMQ tomando conta dos primeiros lugares. No entanto, mesmo sendo um desafio para as equipes se classificarem para o Mundial 2014, isso só fortalece o cenário, e faz pensar que uma equipe do NA pode finalmente levantar a Copa do Invocador.


5 years ago


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