Raio-X CNB: Os ex-novatos

Por: LeonButcher

CNB eSports

CBLoL 2015 - 1ª Etapa
Topo: Aoshi
Caçador: Nappon
Meio: Electro
Atirador: Kalec
Suporte: Wos

 

O ano de 2015 começou com um certo ponto de interrogação para a torcida blumer. Era impossível não lembrar da CNB de manajj, Alocs e cia, mas era necessário esquecê-los. A formação com jogadores novos no cenário competitivo trazia a grande dúvida sobre como eles se sentiriam pressionados em um campeonato da elite, ou se conseguiriam bater de frente com outras equipes.

O recorde de 3 vitórias, dois empates e duas derrotas mostra que os jogadores estão encontrando seu caminho cada vez mais, e a equipe fica cada vez um passo mais perto de colher os resultados das apostas e dos intensos treinamentos.

Fantasmas do passado

A CNB conquistou fama no cenário competitivo não à toa. Com dois vice-campeonatos brasileiros e o troféu do Desafio Internacional 2013, a esquadra passada da organização criou um vínculo imenso entre si própria e a torcida. Foi de fato triste para todos observarem o time se desmanchar após a derrota na Final Regional 2014 no Ginásio do Maracanãzinho, mas os Blumers teriam que se reerguer.

O segundo semestre do ano foi de reconstrução e testes, até que no começo de Novembro a nova linha titular foi finalmente fechada. Quatro nomes novatos no competitivo vestiam uma das camisas de maior peso no cenário. Electro, Nappon, Aoshi e Wos, ao lado do ex-treinador Kalec, formariam a terceira geração CaNiBal (origem da sigla CNB).

Electro, Nappoin, Aoshi, Wos e Kalec formam a terceira geração da CNB

Com tempos de treinos e críticas da comunidade ao desempenho do time e dos jogadores a organização se mostrou forte para dar tempo de trabalho e sinergia aos jogadores, blindando-os. Este esforço se provaria crucial para a conquista da vaga no CBLoL 2015.

Estrelas ascendentes: pontos fortes

  • Fase de Picks e Bans.

  • Mobilidade do caçador.

  • Sinergia e lutas em equipe.

  • A fiel torcida Blumer.

Muito é necessário para que um jogador profissional consiga sentar e desempenhar o seu melhor em uma partida. As organizações brasileiras têm se dado conta disso e a CNB é uma das que mais apostou em profissionais para ajudarem os jogadores. A contratação de Chucky (ex-jogador profissional e atual gerente da equipe) e Djokovic (também ex-atleta e técnico da equipe) blindou os novatos jogadores de eventuais problemas, fazendo que suas cabeças estivessem focadas em melhorar a cada dia.

O resultado não poderia ser outro. Por recrutar novos jogadores, a CNB moldou seu estilo de jogo, e apesar de muitos não se destacarem mecanicamente, a equipe é unida e possui uma sinergia muito grande, o que se reflete dentro de jogo nas lutas entre times. A equipe é coordenada e sabe separar os focos de pressão durante brigas, o que faz com que consigam vencer de equipes consideradas mais fortes, como a rival paiN Gaming.

Com tanta sinergia, é necessário que isso venha de algum lugar. Aqui entram os papeis de Nappon e Djokovic. Falemos primeiro do treinador. Ex-jogador da INTZ, Djoko é um exemplo de liderança fora de jogo. Analista de primeiro nível, ele consegue, acima de seu conhecimento, o respeito dos jogadores. Nas palavras do analista Melão13, “Djoko consegue ser respeitado pelos jogadores e consegue respeitar os jogadores, é um líder, motiva, educa, é o famoso "professor" que a gente ouve no futebol”.

Não raro vemos o treinador fazendo com que um dos jogadores pense no melhor campeão contra o adversário, mesmo tendo a resposta na cabeça.

O caçador Nappon é o grande destaque da equipe dentro do jogo. Com alta movimentação e performances exemplares de Lee Sin e Rek’Sai, o jogador foi uma grata surpresa para 2015 e ainda possui bastante espaço para melhora. As ações são centralizadas nele e isso acaba sendo um ponto de atenção para a equipe, mas Nappon tem conseguido se virar muito bem com esta pressão nos ombros, provando que é um jogador de primeiro calibre.

É também impossível não falar dos torcedores blumers. Fanáticos e sempre com faixas de “Vamo CNB!” em eventos presenciais, a força transmitida é crucial para os jogadores e para a organização.

Auto-conhecimento

Com tanto ao redor e já ao final da fase regular, a CNB sabe muito bem seus pontos fracos, e sabe como jogar de maneira com que eles não afetem os pontos fortes. A limitação mecânica de alguns jogadores é contornada por proteção da equipe e movimentação. Conhecer os pontos de melhora é algo crucial para uma equipe em desenvolvimento.

Falando especificamente das rotas, Electro é um meio clássico. De jogo passivo e escolhas que vão de assassinos como Ahri a campeões de coleta de recursos e lutas em equipe como Orianna, o meio da CNB não demonstra muita agressividade na rota e também não se movimenta tanto. Ainda assim suas performances são constantes por ter boa visão durante as lutas e primor em posicionamento.

Aoshi é um jogador de grande utilidade para a equipe. Focando em campeões de linha de frente ou proteção dos carregadores, como Gnar ou Lulu, é quando vemos o topo brilhar. Sua visão de mapa é boa para explorar os flancos adversários, mas sua fase de rotas precisa ser melhorada. Não dificilmente vemos topos com um papel mais ofensivo jogando Aoshi para baixo da torre e pressionando-o constantemente.

A rota inferior possui um contraste perigoso. O atirador Kalec é um dos jogadores há mais tempo no competitivo, e enquanto sua experiência é valiosíssima para a equipe, seu nível mecânico está aquém daquele de um atirador de primeiro nível. Não raro o vemos sendo pego fora de posição e em situações de risco por abusar de seu posicionamento, e isso faz com que suas atuações variem muito.

Ao lado dele Wos tem sido o grande destaque (junto com Nappon). Com uma frieza impressionante ao jogar, o suporte demonstra domínio de campeões do mais diverso estilo, indo de iniciação pesada e dano bruto com Annie à proteção e movimentação com Janna. Wos é um dos principais fatores quando Kalec consegue boas performances, fazendo com que no geral a rota inferior da CNB seja equilibrada.

Sinal de alerta: pontos fracos

  • Ser pego fora de posição.

  • Carregadores passivos.

  • Falta de experiência.

  • Dar tempo ao tempo.

Vamos começar do último ponto, pois ele não é de fato um ponto fraco da equipe, mas sim um chamado de atenção. Os jogadores sabem seus pontos fracos e possuem uma boa estrutura para melhorá-los. Sabendo disso, é importante que não se afobem e saibam que é natural ter pontos fracos e que eles serão preenchidos conforme se adquire mais experiência e ritmo de jogo.

Já citamos brevemente o quanto ser pego fora de posição é algo que acontece no time, principalmente com o atirador Kalec – o que foi um fator crucial para a CNB perder o primeiro jogo contra a paiN. É um erro comum e compartilhado até pela líder INTZ, mas é crucial que se resolva o mais rápido possível, pois coisas como pickoff custam partidas. Visão avançada é o principal meio de combater isso, e a CNB precisa começar a adotar um posicionamento mais ofensivo de sentinelas para dominar mais os oponentes, e de quebra acabar com pessoas sendo pegas fora de posição.

Enquanto a equipe teve uma boa fase regular do CBLoL, é nítido em alguns jogos a falta de experiência dos jogadores, o que faz com que tomem decisões precipitadas, como as lutas na primeira partida contra a INTZ – a CNB liderava, mas duas lutas ruins viraram o jogo para a líder. Isso ainda provoca a passividade nas rotas, fazendo com que a equipe demore a emplacar seu jogo e fique dependente das emboscadas de Nappon. Quando o caçador é o alvo dos adversários, a CNB não consegue jogar.


A equipe já está acima do esperado com o terceiro lugar conquistado na fase de pontos corridos. O duelo contra a KaBuM Black promete ser muito equilibrado – vale lembrar que as equipes empataram na quinta semana do CBLoL. A CNB possui duas semanas para reavaliar suas atuações e usar e abusar da habilidade do técnico Djokovic para vencer o duelo.

Fase eliminatória - CBLoL

21/03 – CNB eSports Club x KaBuM Black (md3)


Fotos: Riot Games


3 years ago

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