Ascensão do Mundial: A Segunda Temporada inaugura a Era Moderna

Por: LeonButcher

"Eu me lembro muito bem o exato momento que nos tocamos o quanto a coisa seria grande", diz Xpecial.

"Estávamos na Alemanha ou Amsterdã ou algo assim, e nos dirigíamos à IEM Colônia. Nos encontrávamos no lobby do hotel esperando a entrega da comida chegar, alguém abriu o notebook e vimos: US$ 5 milhões anunciados como premiação total da Segunda Temporada. E este foi o momento que decidimos apostar tudo".

Para os jogadores na Team SoloMid, assim como outros jogadores, o Campeonato da Segunda Temporada determinou o fim do amadorismo. Eles não eram mais somente caras talentosos jogando um jogo com os amigos. Eles eram parte de uma organização profissional competitiva, e League of Legends era mais do que um jogo. Era um trabalho.

"Já faz três ou quatro anos, e eu ainda me lembro claramente deste momento. Porque este foi o momento que decidi, ‘ok, provavelmente não irei mais para a escola. Isto será uma verdadeira carreira’. E este foi o momento que tudo começou".


Novos Começos

É difícil precisar exatamente quando o League of Legends se tornou maduro como eSport. Não existiu um único momento em que uma chave virou e League se tornou grande. Na verdade, foi uma série de pequenos momentos, como a descoberta de Xpecial de que League estava se tornando consideravelemente grande, e era algo que valia a pena mudar o curso da sua vida para perseguir.

Porém, há também um forte argumento a ser feito de que o cenário competitivo moderno entrou em foco ao longo da Segunda Temporada no L.A. Live no centro de Los Angeles, e mais tarde no Galen Center localizado na Universidade da Califórnia do Sul (USCA). Estes locais apresentaram o quanto League of Legends havia crescido no espaço de um ano, mostrando ao mundo uma equipe de Taiwan desconhecida chamada Taipei Assassins e uma cena coreana em rápida evolução representada pela Azubu Frost.

Também serviu para soar o alarme dos Norte-Americanos e mostrar que o cenário de lá não estava tão saudável e competitivo quanto já esteve, já que a Counter Logic Gaming, Team SoloMid e Team Dignitas não conseguiram manter – alguns diriam até chegar – o nível apresentado por equipes novas vindas da Europa e Ásia.

O Mundial da Segunda Temporada também marcou uma virada na aproximação da Riot em relação ao cenário competitivo. Após uma série de erros de conexão durante as Quartas-de-Final (e mais precisamente nas partidas entre World Elite e CLG.EU) e diversas partidas refeitas, a Riot foi forçada a admitir derrota no L.A. Live e adiar a decisão do campeonato. Aquela noite, no entanto, marcou uma completa reflexão da aproximação da Riot em relação à produção de competições.

Já no tempo que Azubu Frost e Taipei Assassins pisavam nos Campos da Justiça para a final do campeonato, o League of Legends entrava em uma nova era.


Os Russos Estão Vindo

É fácil de esquecer hoje em dia, mas a Segunda Temporada era originalmente suposta para ser o ano da Moscow Five. Eles explodiram no cenário durante a primavera e viraram a Europa de cabeça para baixo.

Os novatos russos nunca duvidaram de si mesmos. Do momento que apareceram no cenário, eles estavam certos de que League era todo deles.

"Quando nos apresentamos na IEM Kiev, pensamos que éramos os melhores", lembra Alexey "Alex Ich" Ichetovkin. "Não me lembro muito bem de onde veio. Acho que estávamos somente vencendo todos os amistosos e estávamos bem confiantes com o nosso potencial. Após isso, decidimos dar tudo de nós e começamos a ganhar todos os torneios que jogávamos".

E a equipe russa não era somente excepcional no jogo, eles eram incrivelmente populares com a torcida.

"Acho que na Europa e na América do Norte sempre foi assim: a equipe que está ganhando, se torna popular", diz Alex Ich. "Nós éramos uma equipe estranha à torcida, e isso que os repeliu em um primeiro momento. Mas ao mesmo tempo eles se sentiam atraídos pela maneira como ganhávamos. Não éramos exatamente emocionais enquanto ganhávamos. Jogávamos nosso estilo de jogo que fazia League ficar menos chato, e isso transformava todos os jogos em jogos interessantes".

"Menos chatos" neste caso significa que a Moscow Five estava evoluindo o jogo para ser menos individual e mais acerca de jogadas coordenadas. A equipe russa fazia os outros times parecerem estáticos e sem imaginação enquanto eles utilizavam diversas estratégias e rotações inesperadas.

Esta popularidade se provou uma faca de dois gumes para Alex Ich e a Moscow Five quando eles chegaram ao Mundial e deram de cara com sua grande torcida.

"O palco do Mundial da Segunda Temporada era bom e realmente grande, mas eu queria bastante algo como as cabines à prova de som que eles usavam na OGN", diz Alex Ich. "Acho que é muito fácil de se distrair estando de frente para a torcida. Mas ao mesmo tempo foi isso que nos deu grande ânimo para chegarmos aonde chegamos, esta força da torcida".

League já havia mudado a vida de Alex Ich duas vezes quando ele voou para Los Angeles em 2012. Não somente ele havia encontrado uma nova carreira que já o colocava entre os melhores jogadores profissionais de League of Legends, mas também o ajudou a conquistar seu casamento.

"Eu estava casado no meio da Segunda Temporada", ele lembra. "Minha esposa entendia minha carreira, pois ela comentava jogos de League of Legends, e nos conhecemos através de redes sociais. Ela sentia falta de mim quando eu viajava para todos estes campeonatos, mas ao mesmo tempo estava animada, feliz e torcendo por mim em todos os torneios, especialmente quando era algo tão grande quanto o Mundial da Segunda Temporada".

Então, no Mundial da Segunda Temporada, Alex Ich e sua equipe estavam procurando encerrar seu ano glorioso com a cereja de ouro – a Copa do Invocador.

CLG.EU: Um Jogo de Equipe

A Moscow Five era a vitrine do que era possível quando as equipes jogavam mais agressivamente e coordenavam o seu jogo um pouco melhor. No entanto, nenhuma outra equipe encapsulou tão perfeitamente o que era a mudança de um jogo individual para um jogo de equipe quanto a CLG.EU.

"A CLG.EU antes de qualquer coisa era uma equipe, não somente cinco caras jogando juntos", explica Mitch "Krepo" Voorspoels. "Tínhamos uma mistura de jogadores extremamente talentosos e outros mais velhos e mais maduros. Focávamos muito em entrosamento tanto dentro como fora do jogo. É uma grande crítica aos times de hoje em dia inclusive, já que vemos muita individualidade enquanto a química entre a equipe é posta de lado".

A CLG.EU era uma equipe incrivelmente carismática porque você conseguia ver o quanto aqueles jogadores gostavam de estar um ao lado do outro jogando, cada um com sua personalidade. O que era pouco evidente era exatamente quanto trabalho a CLG.EU colocava em se relacionar, construindo amizades fortes para fundamentar uma equipe titular forte.

"Nós conseguíamos não nos estressar uns com os outros através de coisas bobas como cantar karaokê nas pausas entre partidas e no geral sendo tranquilos já que éramos tão amigos", lembra Krepo. "Mesmo com a divisão da equipe, ainda posso chamar Mike (Wickd) e Henrik (Froggen) de amigos, e óbviamente Pete (Yellowpete), eu, e Stephen (Snoopeh) ainda andamos junto, já que costumávamos morar juntos na América do Norte".

A CLG.EU também mantinha seu jogo simples. Eles não eram espalhafatosos, apesar do meio Froggen ser capaz de fazer coisas estrondosas no jogo. Ainda assim, o estilo era no geral determinado e com grande cautela.

"Jogávamos de maneira simples o League, onde permanecíamos nas rotas até 15 minutos e depois nos juntávamos para lutar, nossa sinergia nas lutas e chamadas era boa e constantemente vencemos jogos somente nisso", explica Krepo. "Jogávamos nas nossas forças colocando a rota inferior para jogar de maneira mais passiva e empatando ou ganhando a fase inicial lá, o controle vinha da selva, e doávamos os recursos para o topo e o meio, que conseguíam muito bem usar essa vantagem".

Claro, esta não era lá a forma mais emocionante de jogar a partida. Afinal, a CLG.EU é a grande razão das pessoas comemorarem quando jogadores destroem Sentinelas em partidas longas. Os jogos contra a World Elite foram uma enciclopédia magistral de táticas e estagnação de recursos, tanto que a torcida literalmente gritava por qualquer coisa, e por um bom tempo a matança das sentinelas foi a única brecha que as pessoas tinham de extravasar.

Não era lá muito bonito, mas funcionava. A CLG.EU conseguiu ultrapassar a Fase de Grupos e seguir seu caminho até as Semifinais devido ao seu jogo pensado e meticuloso.


Embate de Regiões

A Segunda Temporada também demonstrou o aumento da diferença entre as equipes chinesas e coreanas em ascensão e suas contrapartes norte-americanas. Assim, enquanto a Primeira Temporada viu o embate entre Europa e NA, a Segunda foi dominada por equipes Asiáticas que encontravam novos caminhos para se jogar League.

"Eles não eram mecanicamente melhores", debate Xpecial. "A única razão do porquê perdemos é que eles tinham uma mentalidade diferente indo para a partida. Nós entrávamos e fazíamos qualquer coisa, coletando abates - mas eles alvejavam torres, objetivos. Não tínhamos nem ideia do que tudo aquilo significava naquela época, somente jogávamos e batíamos times vencendo as rotas e sendo melhor mecanicamente".

A Taipei Assassins, em particular, exibiu uma crescente enorme no decorrer do torneio. Eles massacraram a NaJin Sword (do topo MaknooN), a equipe Coreana que pareceu mais dominante na Fase de Grupos, e então prosseguiram para eliminar a Moscow Five por pouco, 2-1.

A aproximação da Moscow Five em si não era tão diferente das equipes asiáticas. Porém, eles não conseguiam juntar tudo na mesa e empurrar para o final como a TPA fazia.

"Não acho que eles jogavam tão diferentemente de nós", diz Alex Ich. "Eles eram mais coordenados e mais agressivos. Acho que esta ainda é a diferença comparando a China a outras regiões... mas penso que a fase de Escolha de Campeões deles foi melhor e não conseguimos nos adaptar ao que eles trouxeram para a partida, mérito total deles. Penso que éramos melhores nas lutas entre equipes, mas eles conseguiram desviar delas".

Talvez a Moscow Five fosse mais forte em alguns pontos, mas exatamente isso foi o que tornou a Taipei Assassins um time campeão tão formidável. Em cada estágio, eles sempre pareceram estar em desvantagem, mas sempre se adaptavam e melhoravam a cada novo jogo.

Quando os fãs ligaram os computadores para assistir à Grande Final no Galen Center no dia 13 de outubro, eles não receberam o duelo entre a melhor equipe de Taiwan contra a melhor da Coreia. Em vez disso, assistiram uma confiante Taipei Assassins desmantelar o time coreano, com cada membro da TPA se revesando como destaque da partida. Wang "Stanley" June Tsan, em particular, provou ser impossível de ser contido já que constantemente dominava sua rota e devastava a Azubu Frost com sua grande movimentação.

A Coreia teria seu dia de glória em League of Legends, mas em 2012, contra tudo e todos, a Taipei Assassins barrou a esperada vitória daquela região.


A Troca da Guarda

Quando a Taipei Assassins ergueu a Copa do Invocador na frente de milhares de espectadores, eles haviam acabado de ganhar um milhão de dólares, eliminado uma série de rivais favoritos, e anunciado a chegada da China e do Sudeste Asiático como regiões competitivas de alto nível.

No entanto, sua vitória marcou o fim de uma era tão certamente como deu a entender o início de uma nova. A relativa simplicidade da Primeira Temporada já estava bem atrás, trocada pelo foco em objetivos e estratégias de equipes. Os times deveriam se adaptar ao meta desenvolvido, ou seriam colocadas para trás. Da mesma maneira que SK Gaming, Dignitas, CLG Prime e até TSM haviam sido colocadas naquele Mundial.

Uma lição que não foi totalmente absorvida pela TSM, no entanto.

"Nós não sabíamos o que fazer [após a Segunda Temporada]", admite Xpecial. "Queríamos ir bem, mas não estávamos realmente tão tristes, havíamos conseguido bons resultados em nossa região então pensamos ‘Bem, nós tentamos. Poderíamos ter feito melhor’. Era duro ficar tão triste. Então somente pensamos que nos esforçaríamos mais para conseguir um resultado melhor na próxima vez".

"E nós realmente não mudamos muito".

Mas, se algumas das equipes veteranas não mudariam e se adaptariam com o choque do Mundial da Segunda Temporada, a Terceira Temporada iria forçá-los.


4 years ago