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  • Malcolm Graves, o Foragido

    Malcolm Graves é um homem procurado em cada um dos reinos, cidades-estado e impérios que visitou. Durão, persistente e - acima de tudo - implacável, através de sua vida de crime ele acumulou uma pequena (e invariavelmente perdida) fortuna.
  • Flâmulas dos Anzóis Farpados

    Uma das mais velhas e ferozes gangues das Águas de Sentina, os Anzóis Farpados juram lealdade imortal a Gangplank. Seu nome vem das ferramentas curvas que muitos deles usam para caçar monstros do mar.
  • A Mulher Barbada

    Também conhecida como Serpente-Mãe pelo povo indígena das ilhas ao redor da cidade, a Mulher Barbada é a padroeira das Águas de Sentina. Mitos a seu respeito existem há séculos. Um marinheiro descuidado é aquele que deixa de jogar uma moeda na Fonte da Serpente assim que ancora sua embarcação na cidade.
  • Serpentes de Prata

    Negociantes, mercadores e corsários de toda Runeterra trazem riqueza e seus bens através do porto todos os dias. Somente um tolo recusa ouro, não importa de quem seja o rosto marcado na chapa de metal — mas Águas de Sentina tem sim sua própria moeda além dos Cráquens de Ouro.
  • Canhão portátil

    Relativamente baratas, estas armas reformadas são populares entre a miríade de gangues, brigadas e corsários.
  • Adaga Retrátil Carmesim

    Alguém estava disposto a pagar uma boa quantia por esta simples faca, diretamente da arca de tesouros do Gangplank. Suas origens, assim como o seu uso, são desconhecidas.
  • O armazém

    Situado ao fim de um pier, protegido pelas águas infestadas de tubarões e peixemônios em três de seus lados e pela nefasta gangue dos Anzóis Farpados na entrada principal, o armazém de Gangplank é repleto de tesouros e despojos de cada canto do mundo.
  • Inimigos derrotados

    Ninguém detém controle sobre as Águas de Sentina sem esmagar alguns rivais que ficam em seu caminho.
  • Twisted Fate, o Mestre das Cartas

    Twisted Fate é um infame trapaceiro que apostou e encantou tudo em seu caminho por boa parte do mundo, conquistando a inimizade e admiração tanto de ricos quanto tolos. Ele raramente leva coisas a sério, saudando cada dia com um sorriso zombeteiro e elegância negligente. Twisted Fate sempre tem um ás na manga, de toda maneira possível.
  • Arquitetura

    Águas de Sentina não tem recursos naturais, o que força seus habitantes a guardar tudo o que podem. É comum ver restos de embarcações de Ionia, Demacia e Freljord incorporadas à arquitetura.
  • Frota carniceira

    Diversas frotas deixam o porto em cada pôr-do-sol para caçar poderosos monstros do mar. Como rivais, representadas por símbolos e tradições únicas, muitas das frotas constantemente lutam entre si pela dominação.
  • Choupanas

    Após uma caçada de sucesso por monstros do mar, as frotas carniceiras retornam às docas da matança para transformar, nas choupanas, as gigantescas criaturas em carne, ossos e escamas protetoras. Negociações lucrativas de glândulas, órgãos e secreções destas serpentes prosperam em Águas de Sentina.
  • Monstros do mar

    Gigantes monstros do mar são ameaças constantes nas águas ao redor de Águas de Sentina e, com o passar dos séculos, um ramo de negócios surgiu da caça e coleta delas. A natureza da atração das criaturas pelas ilhas é desconhecida, mas seu impacto não pode ser negado.
  • Ratos do cais

    Uma terrível mescla de tubarão e rato, estas criaturas são maiores do que cães. Costumam atacar homens bêbados e pescadores sós em noites sem lua. Elas costumam andar em bandos e não têm dificuldade nenhuma em arrancar a perna de um homem.
  • Marcações de Tahm Kench

    Retratos do velho Tahm Kench marcam esconderijos de avareza por toda Águas de Sentina. Um símbolo de cobiça e liberdade desinibida, o rosto do Rei do Rio aparece em pixações lascivas com a mesma frequência que é um guia para aqueles em busca de saciar vontades de tipo indelicado.
  • Canhôndolas

    Estas plataformas levadiças transportam bens e pedaços de carne, ossos e gordura das criaturas marítimas através das ilhas em trilhos enferrujados. Algumas das gôndolas têm canhões, o que serviu de inspiração para o nome que os habitantes lhe dão.
  • A Ponte da Carnificina

    Outrora uma antiga ponte de pedra que levava à entrada de um templo, ela não foi cuidada como deveria e hoje serve principalmente como a conexão entre as docas da matança e uma das favelas das Águas de Sentina.
  • Miss Fortune, a Caçadora de Recompensas

    Beleza e perigo: existem poucos que podem se comparar a Miss Fortune em qualquer um destes quesitos. Uma das mais infames caçadoras de recompensa das Águas de Sentina, ela construiu a própria lenda envolta em defuntos baleados e malfeitores capturados. O eco explosivo de suas pistolas gêmeas nos cais e barracos da cidade portuária são sinais claros de outra apreensão feita pela Caçadora de Recompensas.
  • Gangplank, o Terror dos Doze Mares

    Tão inesperado quanto brutal, o auto-intitulado Rei dos Ladrões conhecido como Gangplank comanda Águas de Sentina com uma mistura de medo, violência e astúcia. Aonde vai, morte e ruína são o seu rastro. Tal é sua infâmia e reputação que o menor vislumbre de suas velas negras no horizonte causa pânico até mesmo na tripulação mais valente.
  • O Presságio da Morte

    Gigantesca com seus três mastros, a embarcação principal de Gangplank é uma das mais infames de Runeterra. Herdada após seu impiedoso patricídio, o Presságio da Morte é tanto um lembrete do poder massivo de seu capitão quanto a sua própria manifestação física.
  • Encantadores de Serpentes

    Seja através de magia ou desenhos arquiteturais antigos, os Encantadores de Serpentes usam estes pilares ocos para imitar os gritos e choros dos habitantes das profundezas, invocando-as para a superfície ou afastando-as.
  • O Barqueiro

    Em Águas de Sentina, os mortos não são enterrados — são entregues de volta ao oceano. O Barqueiro leva os corpos dos falecidos para vários cemitérios espalhados pelos estreitos ao redor da cidade.
  • Cemitério

    Os cemitérios consistem de incontáveis bóias ancoradas com cadáveres. Os mais ricos são sepultados em caixões submersíveis presos a luxuosas tumbas flutuantes, enquanto os pobres costumam ser encontrados amarrados em montes a velhas âncoras, presas em barris cheios d'água.
  • Águas infestadas de tubarões

    O mar ao redor das Docas da Matança costuma ficar escurecido com o sangue das criaturas marítimas abatidas. Isto atrai tubarões e outros predadores a diversos ancoradouros, formando uma espuma de violência.
  • Despojos de guerra

    Quando o navio de Gangplank retorna ao porto, cheio de despojos de suas últimas missões de pilhagem ou combates vitoriosos, ele antes ancora próximo às docas da matança para depositar as novas riquezas no armazém do capitão.
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ATO UM - PARTE UM

ATO UM - PARTE UM

As Docas da Matança, O Trabalho, Um Velho Amigo

As docas da matança da Vila dos Ratos; têm um cheiro tão bom quanto a sugestão que seu nome traz.

Mesmo assim, aqui estou, escondido nas sombras, respirando o fedor de sangue e bile das serpentes do mar.

Eu me mesclo à escuridão, puxo para baixo a aba de meu chapéu sobre o meu rosto enquanto membros fortemente armados dos Anzóis Farpados andam por perto.

Eles têm a reputação de ser selvagens; é capaz que me derrubem em uma luta justa, mas eu não sou fã de ser justo. Tampouco estou aqui para lutar. Não desta vez.

Então, o que me traz aqui, a um dos distritos mais rançosos de Águas de Sentina?

Dinheiro. O que mais seria?

Aceitar este trabalho foi brincar com a sorte, mas o pagamento é bom o suficiente para que eu não recusasse. Além do mais, já deixei o local arrumado para que o baralho jogue a meu favor.

Não pretendo ficar por muito tempo — quero entrar e sair o mais rápido e quieto possível. Assim que o trabalho estiver feito, vou pegar meu pagamento e sumir antes que o sol nasça. Se tudo der certo, estarei no meio do caminho para Valoran antes que se deem conta de que aquela droga não está em seu lugar.

Os capangas viram a esquina do gigantesco barracão. Eu tenho dois minutos até que deem a volta completa — tempo o suficiente.

A lua prateada desliza por trás de um punhado de nuvens, deixando o cais às sombras. As caixas do trabalho de hoje estão espalhadas pela doca e fazem uma ótima cobertura.

Há vigias no topo do armazém principal, silhuetas mantendo posição com bestas em suas mãos. Fofocam a plenos pulmões como se fossem esposas do mar. Eu poderia andar por aí vestindo sinos que estes idiotas ainda assim não me ouviriam.

Eles acham que ninguém seria tolo o suficiente para vir até aqui.

Um cadáver inchado paira sobre mim — um alerta visível a todos. Ele gira lentamente com a brisa da meia-noite que vem da orla. Não é uma visão agradável: um gancho enorme, do tipo que usam para pescar peixemônios, suspende o corpo no céu.

Pisando sobre correntes enferrujadas, largadas sobre pedra molhada, eu passo entre um par de guindastes usados para erguer gigantes criaturas marinhas até os matadouros, onde são estripadas. É deles que sai o cheiro pútrido que permeia tudo à minha volta. Assim que isto acabar, vou precisar de roupas novas.

Cruzando a baía, muito além das águas sujas com miúdos de peixe das docas da matança, flutuam navios ancorados; suas lanternas balançam gentilmente. Uma das embarcações atrai minha atenção: um enorme galeão de guerra com velas negras. Eu sei de quem é este navio. Todo mundo em Águas de Sentina sabe.

Reservo um momento para tripudiar-me. Estou prestes a roubar do homem mais poderoso da cidade. Cuspir nos olhos da morte sempre traz uma certa excitação.

Conforme espera-se, o armazém principal tem mais proteção que as virtudes de uma nobre. Guardas posicionados em cada entrada. Portas trancadas e barradas. Para qualquer um que não seja eu, seria impossível entrar.

Ando agachado em direção ao beco na direção oposta à do armazém. Não tem saída e não é tão escuro quanto eu desejava. Se eu ainda estiver aqui quando a patrulha voltar, eles vão me ver. E, se conseguirem me pegar, o melhor que posso desejar é por uma morte rápida. Provavelmente serei levado a ele, e isto me traria uma maneira muito mais dolorosa e lenta de morrer.

O truque, para variar, é não ser pego.

Então eu os ouço. Os capangas voltaram mais cedo. Me sobram alguns segundos, no máximo. Eu puxo uma carta da manga e a rodo entre os dedos — um movimento tão natural quanto respirar. Esta parte é fácil, mas o resto não pode ser apressado.

Deixo minha mente vaguear enquanto a carta brilha; uma certa pressão se faz à minha volta e eu me preencho com a promessa de estar em qualquer lugar. Concentro-me, com os olhos entreabertos, e imagino o lugar onde preciso estar.

Aí me bate aquele frio no estômago familiar e eu desapareço. Uma rajada de vento e eu estou dentro do armazém; desapareci praticamente sem deixar rastros.

É, eu sou bom.

Um dos Anzóis Farpados lá fora pode até olhar para o beco e perceber uma única carta de baralho caindo no chão, mas provavelmente não a verá.

Leva um certo tempo para que eu me recomponha. A luz fraca das lanternas do lado de fora penetra pelas rachaduras nas paredes enquanto meus olhos se ajustam.

O armazém está cheio, empilhado até o teto com tesouros de todos os Doze Mares: armaduras reluzentes, trabalhos exóticos de arte, seda brilhante; um monte de coisas que vale um bocado, mas não é disto que estou atrás.

Minha atenção é atraída para o portão de carga à frente do armazém. Lá eu sei que ficam as cargas mais recentes. A ponta de meus dedos desliza sobre diversas caixas e embalagens e param sobre uma pequena caixa de madeira. Posso sentir o poder que emana de seu interior, e é para isto que eu vim.

Eu abro o trinco.

Meu tesouro se desvenda frente a mim: uma faca de ornamentos elaborados descansa sobre um colchão de veludo negro. Estico o braço para apanhá-la...

Cla-clack.

Eu congelo. Este som é inconfundível.

Antes mesmo que ele fale, eu sei quem está atrás de mim na escuridão.

— T.F., — diz Graves — já faz muito tempo.

ATO UM - PARTE DOIS

ATO UM - PARTE DOIS

A Espera, Reencontro, Fogos de Artifício

Já estou aqui há horas. Tem gente que ficaria entediada ao ficar parada por tanto tempo, mas eu tenho minha raiva para fazer companhia. Não saio daqui enquanto não acertar as contas.

Muito tempo depois da meia-noite e a cobra finalmente mostra a cara. Ele repentinamente aparece no armazém usando aquele velho truque de mágica. Aprumo minha escopeta, pronta para virá-lo do avesso. Após os anos que passei procurando por este cretino traiçoeiro, aqui ele está, pronto para virar poeira, logo à frente dos tambores da Destino.

— T.F., — eu digo — já faz muito tempo.

Eu tinha palavras melhores para este momento, é engraçado como todas se foram com o vento assim que eu o vi.

Mas, T.F.? Seu rosto não esboça reação. Sem medo, sem arrependimento, sequer um nuance de surpresa. Nem mesmo encarando uma arma carregada. Maldito seja.

— Malcolm, há quanto tempo está aí? — ele pergunta, o sorriso em sua voz me enraivece.

Eu miro; posso puxar o gatilho e deixá-lo mais morto do que escória do mar.

Eu realmente deveria. Contudo, ainda não. Preciso ouvir ele dizendo.

— Por que fez aquilo? — eu pergunto, sabendo muito bem que sua esperteza responderá.

— A arma é realmente necessária? Achei que fôssemos amigos.

Amigos. O sacana quer me tirar do sério. Agora eu quero arrancar a cabeça dele, mas preciso manter a calma.

— Está mais esmerado do que nunca. — ele continua.

Eu vejo mordidas de peixemônios nas minhas roupas. Tive de nadar para passar pelos guardas. Desde que conseguiu um pouco de dinheiro, ele tem se importado com a própria aparência. Mal posso esperar para acabar com ele, mas, antes, quero respostas.

— Diga-me o porquê de ter me deixado para trás ou vão precisar remover seus pedacinhos das paredes com uma espada. — é assim que tem que ser com ele. Dê-lhe espaço e ele puxa suas cordinhas até você ficar na pior.

Sua untuosidade era muito conveniente quando éramos parceiros.

— Dez malditos anos no xadrez! Você tem ideia do que isto faz com uma pessoa? — ele não tem. Pela primeira vez ele não tem nada engraçadinho a dizer, pois sabe o mal que me fez. — Fizeram coisas comigo que deixariam louca a maioria dos homens. Tudo o que me manteve inteiro foi a minha raiva e pensar neste exato momento em que estamos. — e aí veio a sua resposta espertinha.

 

 

— Bom, então parece que eu mantive você vivo. Talvez você devesse me agradecer.

Esta foi pesada. Estou tão irado que mal posso enxergar. Ele está tentando me incitar. E aí, quando eu estiver cego de raiva, ele fará seu truque barato de desaparecimento. Eu respiro fundo e deixo a isca que ele jogou quieta, o que o deixa surpreso. Desta vez, eu quero respostas.

— Quanto eles pagaram para você me entregar? — as palavras saem em meio a rugidos.

T.F. fica lá, parado e sorridente, tentando ganhar tempo.

— Malcolm, eu adoraria conversar sobre isto com você, mas agora não é uma boa hora e também não é um bom lugar.

Eu percebo, quase tarde demais, uma carta dançando entre seus dedos. Eu perco a concentração e espremo o gatilho.

BAM.

A carta sumiu. Quase arranquei a mão dele também.

— Idiota! — ele grita. Eu finalmente fiz com que perdesse a calma. — Você acabou de acordar a droga da ilha inteira! Sabe quem é o dono deste lugar?

Não me importa.

Eu preparo o segundo tiro. Mal posso ver suas mãos se mexendo, e então cartas explodem ao meu redor. Eu revido, sem certeza se quero ele morto ou quase-morto.

Antes que eu possa encontrá-lo de novo no meio da fumaça, fúria e farpas de madeira, uma porta é aberta a pontapés.

Uma dúzia de capangas entra para fazer mais volume à bagunça.

— Então, você realmente quer fazer isto? — T.F. pergunta, pronto para arremessar outro punhado de cartas em mim.

Eu aceno com a cabeça e seguro minha arma com ele na mira.

É hora de acertar as contas.

ATO UM - PARTE TRÊS

ATO UM - PARTE TRÊS

Coringas, Alarme, Mãos Leves

A situação fica rapidamente feia.

O maldito armazém está lotado de Anzóis Farpados, mas Malcolm nem se importa. Tudo o que lhe interessa sou eu.

Eu pressinto o próximo disparo dele e mudo de direção. O barulho de sua arma é ensurdecedor; uma caixa explode onde eu estava há uma fração de segundo.

Realmente acredito que meu velho parceiro esteja tentando me matar.

Com uma acrobacia por cima de um monte de marfim de mamute, arremesso três cartas em sua direção. Antes que o acertem, já me agacho em busca de proteção e de uma saída. Só preciso de alguns segundos.

Ele vocifera impropérios, mas as cartas não mais que o atrasam um pouco. Ele sempre foi um cara durão. Teimoso também; nunca sabe quando deixar as coisas tomarem o próprio rumo.

— Você não vai fugir, T.F., — ele urra — não desta vez.

É... Ele não perdeu o velho jeito de ser.

Entretanto, ele está errado, como de costume. Vou anunciar a saideira o quanto antes. É inútil tentar falar com ele quando está com sede de sangue.

Outro disparo e um monte de estilhaços ricocheteiam do interior de uma armadura demaciana de valor inestimável, prendendo-se às paredes e ao piso. Eu disparo em zigue-zague, costurando para os lados entre a proteção de uma e outra caixa. Ele me acompanha, urrando suas ameaças e acusações, sua escopeta berra em suas mãos. Graves se movimenta bem rápido para um homem grande; quase havia me esquecido disto.

Ele não é o meu único problema. O tolo maldito cutucou um vespeiro com seus gritos e tiros. Os Anzóis Farpados estão por todos os lados, mas são espertos o suficiente para deixar alguns homens protegendo os portões principais.

Preciso sair, mas não vou embora sem o que vim buscar.

Conduzi Graves nesta valsa circular pelo armazém e chego ao ponto em que começamos pouco antes que ele. Há Anzóis entre eu e meu prêmio, com muito mais a caminho, mas não dá para esperar. A carta em minha mão brilha rubra e eu a jogo bem no meio do portão do armazém. A detonação o derruba de suas dobradiças e dispersa os homens. Eu entro na sequência.

Um deles se recupera mais rápido do que eu esperava, vindo em minha direção com uma machadinha. Eu desvio do golpe e chuto seu joelho, arremessando outro punhado de cartas em seus amigos para mantê-los sob controle.

Com o caminho livre, afano a adaga ornamentada que fui contratado para roubar, prendendo-a em meu cinto. Após toda esta encrenca, é melhor que eu seja pago.

As portas escancaradas me convidam a sair, mas ainda há muitos Anzóis entrando. Sem chance de sair por lá, então eu me dirijo ao único canto quieto deste hospício.

Uma carta dança em minha mão enquanto eu me preparo para desaparecer. Contudo, ao que meu devaneio começa, Graves aparece, perseguindo-me como um urso raivoso. A Destino, sob sua empunhadura firme, transforma um Anzol Farpado em fiapos.

Seu olhar é atraído pela carta brilhante em minha mão. Ele sabe o que isto significa, virando os canos fumegantes de sua arma em minha direção. Sou forçado a me mover, o que interrompe meu foco.

— Não pode se esconder para sempre. — ele grita atrás de mim.

Ele não é estúpido. Ele não está me dando o tempo que preciso.

Ele me tira do meu próprio jogo e a ideia de ser pego pelos Anzóis começa a pesar em mim. O chefe deles é conhecido por não mostrar clemência.

Entre as dezenas de outros pensamentos que rebatem em minha cabeça há a sensação incômoda de que armaram para mim. Do nada me aparece um trabalho fácil e de bom pagamento bem quando eu mais preciso; e, surpresa, lá está meu velho parceiro, esperando por mim. Alguém muito mais esperto do que o Graves quer me fazer de idiota.

Eu sou melhor do que isto. Daria um chute em mim mesmo por ser descuidado, mas lá fora há um cais inteiro, repleto de carniceiros que mal esperam para me poupar da autoflagelação.

No momento tudo o que importa é sumir daqui. Dois disparos daquela maldita arma dele me mandam pelos ares, batendo com as costas em um baú de madeira. A flecha de uma besta se aloja na madeira podre bem atrás de mim, a poucos centímetros da minha cabeça.

— Sem saída, benzinho. — ele grita.

Eu olho à minha volta e vejo o fogo da explosão começando a se espalhar pelo teto. Talvez ele tenha razão.

— Armaram para nós, Graves. — eu grito.

— Ah, você sabe bem o que é isto. — é a resposta dele.

Eu tento fazer com que use a razão.

— Se trabalharmos juntos, conseguimos escapar desta. — devo estar desesperado.

 

— Prefiro ver nós dois mortos antes de confiar em você de novo. — ele responde por trás dos dentes.

Não esperava nada diferente disto. Fazer com que raciocine só aumenta sua ira, exatamente o que preciso. A distração me traz tempo o suficiente para aparecer, como um lampejo, do lado de fora do armazém.

Posso ouvir Graves urrando lá dentro. Sem dúvida ele descobriu onde eu estava e tudo o que encontrou foi uma única carta no chão, zombando dele.

Eu lanço uma barragem de cartas através das portas às minhas costas. Já se foi a hora de ser sutil.

Por um momento, sinto-me mal por deixar Graves em um edifício em chamas, mas sei que isto não o matará. Ele é teimoso demais para isto. Além do mais, um incêndio nas docas é algo muito sério em uma cidade portuária. Talvez me ajude a ganhar tempo.

Conforme busco pela maneira mais rápida de sair das docas da matança, o som de uma explosão faz com que eu olhe por cima dos ombros.

Ele aparece, um passo à frente do rombo que acabou de fazer na lateral do armazém, seus olhos pulsam com instinto assassino.

Eu toco a aba de meu chapéu para ele e fujo; ele me persegue, disparando com a escopeta.

Há de se admirar a determinação deste homem.

Com sorte, ela não terá minha vida esta noite.

ATO UM - PARTE QUATRO

ATO UM - PARTE QUATRO

Osso Entalhado, Uma Lição de Força, Uma Mensagem

Os olhos do moleque se arregalavam de pânico enquanto era conduzido em direção à sala do capitão.

Os gritos agonizantes que emanavam pela porta ao fim do corredor lhe faziam reconsiderar. O choro que ecoava através dos dutos claustrofóbicos do enorme navio de guerra negro podiam ser ouvidos por cada um dos tripulantes do Presságio da Morte; sendo esta a intenção.

O primeiro homem, cujas cicatrizes no rosto desenhavam uma teia, descansava a mão sobre o ombro do garoto. Pararam num solavanco frente à porta. A criança se encolheu ao som de outro berro torturado que dela vinha.

— Apronte-se, — disse o homem — o capitão quer ouvir o que tem a dizer.

Com isto, deu um safanão na porta, que abriu em seguida por um brutamontes com tatuagens no rosto e uma espada curva presa às costas. As palavras que trocaram não desviaram a atenção do menino; seu olhar preso à figura grande, sentada e lhe dando as costas.

Era um homenzarrão, o capitão, e aparentava estar na meia idade. Seu pescoço e ombros eram grossos e fortes. Tinha as mangas puxadas até os cotovelos, revelando os antebraços cobertos de sangue. Um sobretudo vermelho estava pendurado ao seu lado, acompanhado de um tricórnio preto.

— Gangplank... — titubeou o moleque sob a voz trêmula de medo.

— Capitão, imaginei que gostaria de ouvir isto. — disse o homem.

Gangplank não se pronunciou. Sequer se virou, ainda entretido em seu trabalho. O marinheiro das cicatrizes empurrou o garoto à frente, fazendo-o tropeçar com um dos pés. Após recuperar o equilíbrio, o garoto se aproximou do capitão do Presságio da Morte como quem se aproxima da beira de um abismo. Ficou ofegante ao conseguir ver em que o capitão trabalhava.

Baldes de água ensanguentada estavam ao redor da mesa de Gangplank, além de um vasto conjunto de facas, ganchos e fulgurantes instrumentos cirúrgicos.

Um homem jazia sobre sua bancada, firmemente preso a ela com tiras de couro. Somente sua cabeça estava solta, olhando à volta com desespero, pescoço tenso e rosto pingando de suor.

O olhar do garoto foi inexoravelmente atraído à perna esquerda do homem; mutilada. Ele instantaneamente percebeu que não se lembrava do que estava lá para fazer.

Gangplank desviou a atenção de seu trabalho para encarar o visitante. Seus olhos frios e mortos como os de um tubarão. Em uma das mãos, ele delicadamente segurava uma lâmina delgada entre os dedos, como se fosse um pincel delicado.

— É uma arte moribunda... — disse Gangplank, cuja atenção voltou ao trabalho. — Poucos têm a paciência para entalhar ossos hoje em dia. Leva tempo. Está vendo? Cada corte tem um propósito.

De alguma maneira, o homem ainda vivia, apesar da ferida bruta em sua perna, da pele e carne arrancadas do osso de sua coxa. Estupefato em terror, o garoto viu os desenhos elaborados que o capitão havia feito naquele osso; tentáculos e ondas espiralantes. Era um trabalho delicado e belo; o que o tornava ainda mais terrível.

A tela viva de Gangplank soluçava.

— Por favor... — ele gemeu.

O capitão ignorou o apelo patético e descansou a lâmina. Com um jorro de uísque barato sobre seu trabalho, ele limpou o sangue, fazendo com que o homem em sua mesa urrasse de dor a ponto de perder a garganta, até que caísse em piedosa inconsciência; seus olhos rolando para trás das pálpebras. Gangplank resmungou de desgosto.

— Lembre-se disto, garoto, — disse o capitão — às vezes até mesmo aqueles que são leais esquecem-se de seus lugares. Poder de verdade é como as pessoas lhe enxergam. Demonstre fraqueza, mesmo que por um momento, e você está acabado.

A criança concordou em um aceno; seu rosto pálido como papel.

— Acorde-o. — ordenou o capitão, gesticulando em direção ao recruta inconsciente. — A tripulação inteira precisa ouvir sua canção.

Gangplank devolveu sua atenção ao garoto enquanto o cirurgião do navio intercedeu.

— Agora... — disse ele — O que você queria mesmo me contar?

— U-um... Um homem. — respondeu o garoto, seu maxilar trêmulo. — Um homem nas docas da Vila dos Ratos.

— Continue. — disse Gangplank.

— Ele tentou não ser visto pelos Anzóis, mas eu vi ele.

— Ã-hã. — murmurou o capitão, começando a perder o interesse e voltando ao seu trabalho.

— Continue, rapaz. — fez com urgência o primeiro homem.

— Ele brincava com um baralho de cartas estranho. As cartas brilhavam.

Gangplank levantou de sua cadeira em um supetão, igual a um colosso surgindo das profundezas.

— Diga-me onde. — a tira de couro de seu coldre gritava dentro de sua empunhadura firme.

 

— Perto do armazém, o grande perto das choupanas.

O rosto de Gangplank foi tomado por um tom enraivecido de carmesim enquanto puxava o sobretudo e o chapéu do gancho; seus olhos vermelhos refletiam a luz das lamparinas. A criança não foi a única em dar um passo para trás por precaução.

— Dê uma Serpente de Prata e uma refeição quente ao garoto. — ordenou o capitão ao primeiro homem conforme trotava firmemente em direção à porta da cabine.

— E todos vocês para as docas. Temos trabalho a fazer.

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ATO DOIS - PARTE UM

ATO DOIS - PARTE UM

Contenda nas Docas, A Ponte da Carnificina, Uma Barragem

Minha tosse está preta. A fumaça do incêndio no armazém está despedaçando meus pulmões por dentro, mas não tenho tempo para recuperar o fôlego. T.F. está fugindo e maldito eu seja se ficar outra vida de cão atrás dele por toda Runeterra. Isto acaba hoje à noite.

O cretino vê que estou me aproximando. Ele acaba com alguns capangas e corre pelo cais. Está tentando fazer funcionar o truque de escapar, mas eu mantenho a pressão nele, o que tira sua concentração.

Mais Anzóis à nossa volta, iguais a moscas em uma latrina. Antes que possam bloquear seu caminho, T.F. joga algumas de suas cartas explosivas e acaba com os malfeitores. Um ou dois Anzóis são uma briga fácil para ele, mas eu não sou. Estou chegando para pegar o que é meu e ele sabe disto. Ele corre pelo cais o mais rápido que pode.

Sua briguinha com os rapazes das docas me dá tempo o suficiente para me aproximar. Ele me vê e corre para trás de um tremendo pedaço de osso de baleia. Um tiro da minha arma despedaça sua proteção, preenchendo o ar com estilhaços de ossos.

Sua resposta é tentar arrancar minha cabeça, mas eu acerto sua carta com um tiro em pleno voo. Ela explode como uma bomba e joga nós dois no chão. Ele é o primeiro a voltar à ponta dos pés e sai correndo. Eu disparo a Destino o mais rápido que ela aguenta.

Alguns Anzóis se aproximam de nós com correntes e alfanjes. Eu viro rapidamente para lhe explodir um rombo da barriga até as costas. Antes que suas tripas se espatifem pela doca, eu giro nos calcanhares e coloco T.F. na mira, mas o som de disparo de uma pistola me desconcentra. Mais Anzóis e mais armados.

Agacho-me atrás do casco quebrado de uma traineira para devolver o chumbo. Minha arma apenas clica; preciso recarregar. Coloco munição nova em folha no cilindro, deixo minha raiva no chão com uma cuspida e me enfio novamente no caos.

À minha volta, tiros e mais tiros destroçam caixas de madeira. Um deles tira um pedaço da minha orelha. Eu ranjo os dentes e continuo avançando, espremendo o gatilho. A Destino mói tudo o que encontra. Um Anzol perde o queixo; outro é arremessado contra a baía; o terceiro vira uma folha espessa de tendões e músculos.

Acabo por encontrá-lo adentrando as docas da matança. Passo rapidamente por um pescador que pendura enguias; uma delas recém-abertas, suas entranhas ainda caem sobre a doca. O pescador me enfrenta, avançando com um gancho de açougueiro.

BUM.

Lá se vai sua perna.

BUM.

Agora foi a cabeça.

Empurro para o lado uma carcaça fétida de peixe-lâmina e continuo em frente. O sangue chega em meus tornozelos — parte de peixe, parte dos Anzóis em quem atirei. É o suficiente para que um esnobezinho como o T.F. dê chilique. Ele desacelera para não deixar que a fuga amasse seu saiote, mesmo comigo na cola.

Antes que eu possa alcançá-lo, ele dispara em galope. Sinto que estou perdendo o embalo.

— Vire-se para mim e me enfrente! — eu berro.

Que tipo de homem não assume os próprios problemas?

Um ruído à minha direita atrai minha atenção a uma sacada com mais dois Anzóis. Eu atiro e a coisa toda cai nas docas.

É tanta fumaça das armas e tanto escombro que não dá para ver nada. Eu corro na direção do som de suas botas de moça contra as tábuas de madeira. Ele se dirige à Ponte da Carnificina no fim das docas da matança — a única maneira de sair da ilha. Maldição caso eu o deixe escapar de novo.

Eu chego na ponte e T.F., no meio do caminho, derrapa até parar. A princípio, achei que ele tinha desistido; aí vejo o motivo de ter parado: do outro lado, bloqueando seu caminho, há um grupo de capangas com espadas. Só que eu não vou recuar.

Ele vira para o outro lado e me encontra. Ele está encurralado. Olha para o outro lado da ponte e para a água abaixo dele. Ele pensa em pular — mas eu sei que não vai.

Suas opções acabaram e ele começa a andar na minha direção.

— Olhe, Malcolm, nenhum de nós precisa morrer aqui. Assim que sairmos dessa...

— Você vai fugir de novo. — eu o interrompo — É só isto que você faz.

Ele não responde. De repente, eu sou a menor de suas preocupações. Olho sobre os ombros para ver o que lhe preocupa.

Encontro, às minhas costas, toda a chusma capaz de empunhar uma faca ou pistola avançando pelas docas. Gangplank deve ter chamado todos os seus rapazes de toda a cidade. Continuar em frente é assinar a própria sentença de morte.

Só que viver não é o que mais me importa hoje.

ATO DOIS - PARTE DOIS

ATO DOIS - PARTE DOIS

Alcançando, Sobre o Abismo, Dando um Mergulho

Estão sem pressa, os Anzóis. Eles sabem que estamos encurralados. Atrás deles, parece que todo pulha rasga-tripas das Águas de Sentina chegou para a festa. Sem chance de voltar.

Do outro lado da ponte, bloqueando minha fuga pelas favelas da cidade, é o que parece ser toda a gangue dos Quepes Vermelhos. Eles dominam o lado leste da orla. Gangplank é dono deles, assim como é dono dos Anzóis e praticamente de toda a maldita cidade.

Atrás de mim está Graves, passo a passo mais próximo. O cretino teimoso não está nem aí para a bagunça em que nos metemos. É realmente incrível. Aqui estamos novamente, assim como em todos os anos que se passaram: atolados até o joelho e ele irascível.

Eu adoraria lhe dizer o que realmente aconteceu naquela ocasião, mas não adianta. Ele não acreditaria em mim, nem mesmo por um segundo. Assim que algo se aloja na cabeça dura dele, leva um tempo para que vá embora. Eu não tenho este tempo.

Ando de costas até o outro lado da ponte. Pelo parapeito enxergo as manivelas e roldanas suspensas abaixo de mim e o oceano muitos metros mais distante. Minha cabeça gira e meu estômago vai parar nos calcanhares. Volto, cambaleante, para o meio da ponte e percebo o péssimo lugar em que estou.

No horizonte vejo o navio de velas negras de Gangplank. Dele sai uma frota de barcos que se aproxima, remando com muito vigor. Parece que todos os seus homens vêm em nossa direção.

Não consigo passar pelos Ganchos; não consigo passar pelos Quepes; não consigo passar pelo Graves e sua teimosia maldita.

Só há um caminho a seguir.

Eu piso no parapeito e percebo que estamos mais altos do que havia imaginado. O vento sacode meu casaco, fazendo com que estale como as velas de um navio. Eu nunca deveria ter voltado às Águas de Sentina.

— Desça daí, maldito. — diz Graves. Ouço um nuance de desespero em sua voz? Seria o fim para ele caso eu morresse antes de lhe dar a confissão que tanto deseja.

Eu respiro fundo. É uma tremenda queda.

— Tobias, — ele continua — volte.

Eu pauso. Há muito tempo não ouvia este nome.

Em seguida, salto da ponte.

ATO DOIS - PARTE TRÊS

ATO DOIS - PARTE TRÊS

O Espetáculo, Um Observador, Noite Adentro

A Hidra de Latão era uma das únicas tavernas em Águas de Sentina que não tinha serragem no chão. Raramente caia ao chão uma bebida — quem dirá dentes —, mas, nesta noite, seus patronos podiam ser ouvidos por todo o caminho até o Escarpado do Mergulhador.

Homens de certo renome, e até de bens maiores, envenenavam o ar ao cantar, a plenos pulmões, canções de atos mais nefastos.

E lá, entre todos eles, estava a condutora da festança desta noite.

Ela rodopiava, brindava à saúde do mestre do ancoradouro e de todos os seus seguranças. Seu lustroso cabelo ruivo chicoteava para os lados, cativando os olhos de cada homem do lugar — não que eles estivessem atentos a qualquer coisa senão ela.

Ordenou-se que nenhum copo ficaria seco durante a noite toda; e a ninfa de madeixas carmesim certificou-se disto. Não eram, entretanto, os sentidos entorpecidos dos homens que os aproximavam, mas sim a promessa de seu próximo glorioso sorriso.

Com a taverna ainda reverberando em alegria, a porta da frente se abriu, dando passagem a um homem de vestes muito sóbrias. Imperceptível de maneira que só é possível após praticar por muitos anos, ele caminhou até o balcão e pediu uma bebida.

Entre a multidão que se formou, a jovem proclamou tendo em mãos uma caneca de cerveja:

— Meus caros cavalheiros, receio que devo partir. — floreou a moça.

Os guardas do ancoradouro responderam com gritos de desaprovação

— Ora essa, nós já nos divertimos muito, — ela continuou em tom amigável — mas uma noite de ocupações me aguarda e vocês já demoram muito a ocuparem seus postos.

Ela salta sobre uma mesa sem pestanejar antes de fitá-los de cima para baixo com um brilho triunfante nos olhos.

— Que a Serpente-Mãe seja clemente perante a nossos pecados. — e abriu o mais cativante de seus sorrisos, levando aos lábios a jarra de bebida âmbar, enxugada em um único gole — Especialmente os maiores deles! — e bateu o vidro contra a madeira da mesa, limpando a boca com as mãos enquanto sua multidão urrava em aprovação, jogando-lhes um beijo em seguida.

 

 

 

Tais como serventes ante sua rainha, toda a sala debandou.

O mestre do ancoradouro segurou a porta aberta para que passasse, na esperança de que conquistasse um último olhar de aprovação, mas ela se perdeu pelas ruas antes que ele se recuperasse de sua cambaleante e cortês reverência.

Do lado de fora, a lua escondia-se por trás do Esconderijo do Eximido e a sombra da noite parecia aproximar-se da dama para um encontro. Cada passo que ela dava para longe da taverna crescia em propósito e determinação. Seu véu de despreocupação dissolveu-se, revelando sua verdadeira feição.

Seu sorriso; seu olhar maravilhado e alegre; desaparecidos. Ela fitava com austeridade sem enxergar as ruas e becos ao seu redor, mas sim as muitas possibilidades que a escuridão da noite lhe reservava.

Atrás dela, o homem de vestes sóbrias da taverna se aproximava. Mal se ouvia os passos que dava, apesar de enervados e rápidos.

Como que num compasso ele coloca o ritmo de sua caminhada em uníssono ao dela, a menos de um ombro de distância.

— Está tudo em seu lugar, Rafen? — ela perguntou.

Mesmo após todos estes anos, ele ainda se espantava com o fato de nunca conseguir surpreendê-la.

— Sim, capitã. — ele respondeu.

— Você não foi visto?

— Não. — sua resposta ríspida denunciava o desprazer com a pergunta. — A baía já não tinha mais nenhum segurança do ancoradouro ou de seu mestre. O navio ficou completamente vazio.

— E o garoto?

— Fez a parte dele.

— Ótimo. Nos encontramos na Syren.

Rafen desapareceu na penumbra após a ordem.

Ela continuou em frente enquanto a noite se embrulhava ao seu redor. Tudo estava em movimento e o que permanecia inerte eram partes a se fazer um espetáculo.

ATO DOIS - PARTE QUATRO

ATO DOIS - PARTE QUATRO

O Mergulho, O Melhor Par de Botas, Laranjas

Os urros de Graves me acompanham enquanto caio da torre. Tudo o que vejo é a corda abaixo de mim. Prefiro não pensar na queda ou na escuridão profunda e infinita.

Tudo é um borrão de vento rápido.

Eu quase grito de alegria quando pego a corda com as mãos, mas ela queima minhas palmas como se eu segurasse um ferrete em brasa. Minha queda é interrompida repentinamente quando eu chego na barriga do laço.

Fico parado por um momento, xingando.

Ouvi dizer que cair na água desta altura não é o suficiente para morrer, mas prefiro me arriscar na doca de carregamento de pedras — uma queda de uns quinze metros. Ela vai me matar, mas é melhor do que afogamento.

Um par de cabos bem pesados corre entre mim e a plataforma de pedra, cada um em um sentido. Mecanismos barulhentos e malfeitos os colocam em movimento, transportando pedaços menores das criaturas do mar para os mercados das Águas de Sentina.

Eles vibram com um som grave enquanto um balde pesado e enferrujado, tão grande quanto uma casa, desliza em minha direção.

Um sorriso se apossa do meu rosto por um segundo, até o momento em que vejo o que há no balde; estou prestes a cair de pé em um tonel que borbulha com entranhas podres de peixe.

Levei meses para economizar o suficiente e comprar estas botas. Flexíveis igual a teias de aranha e resistentes igual a aço temperado, foram feitas do couro de um dragão marítimo abissal. Existem menos do que quatro pares em todo o mundo.

Maldição.

Eu planejo meu salto precisamente e aterrisso no meio do tanque pútrido. A gosma gelada adentra cada uma das costuras das minhas botas. Pelo menos o meu chapéu está limpo.

É aí que ouço a maldita da escopeta de novo.

A corda de apoio explode, fazendo com que o tonel fique solto dos cabos. Meu pulmão se esvazia com o impacto do tanque na plataforma de pedra. Sinto que as fundações da doca estremecem pouco antes de tudo virar para o lado.

 

O mundo cai sobre minha cabeça, temperado com tripas de peixe.

É difícil manter-me de pé, mas procuro por uma saída. Os barcos de Gangplank estão muito perto.

Atordoado, arrasto-me em direção a um pequeno bote preso à doca de cargas. Mal chego à metade do caminho quando um tiro de escopeta deixa um rombo em seu casco.

Enquanto o bote afunda, eu caio de joelhos, exausto, tentando recuperar o fôlego em meio a uma nuvem de fedor. Malcolm faz sombra em mim. Ele, de alguma maneira, também conseguiu descer — é claro que conseguiu.

— Perdeu o charme, é? — estica ele sob um sorriso desdenhoso, olhando-me de cima a baixo.

— Será que algum dia você vai aprender? — digo enquanto me levanto. — Sempre que eu tento ajudar você... — e ele dispara no chão bem à minha frente. Tenho a certeza de que o pedaço de alguma coisa ficou preso no meu queixo. — Se você me escutasse...

 

— Ah, mas já chega de escutar. — ele interrompe; as palavras saem por entre o ranger de seus dentes. — O maior golpe de nossas vidas e, antes que eu pudesse perceber, você havia desaparecido.

— Antes que você pudesse perceber? Eu avisei que... — outro tiro, outra chuva de pedras, mas eu já deixei de me importar. — Eu tentei tirar nós dois de lá enquanto o resto via o golpe indo pelo ralo. Mas, recuar? Você? Você nunca recua. — tenho uma carta nas mãos sem nem percebê-la.

 

 

— Eu avisei que a única coisa que precisava era da sua cobertura. Teríamos saído sem um arranhão e nadando em dinheiro, mas você fugiu. — ele me devolve entre passos em minha direção. O homem que eu achei que conhecia parece estar perdido sob anos e mais anos de ódio.

Eu desisto de dizer qualquer outra coisa; há algo quebrado dentro dele, visível através de seus olhos.

Um brilho me atrai a atenção sobre os ombros dele. É a faísca de uma pederneira. Os primeiros homens de Gangplank nos alcançaram.

Sem pensar, eu jogo a carta.

A arma de Graves estoura como um trovão.

Minha carta derruba o capanga de Gangplank, sua pistola na altura das costas de Malcolm.

Atrás de mim, outro membro de sua tripulação cai com um baque seco no chão, soltando a faca que tinha em mãos. Se Graves não o tivesse acertado, eu já estaria gelado no chão.

Olhamos um ao outro. Velhos hábitos.

Os homens de Gangplank nos cercam, numerosos, barulhentos e profanos; muitos para se enfrentar.

Isto não impede Graves, que levanta a arma, mas está sem munição.

Não há motivo para eu puxar qualquer carta.

Malcolm grita e avança em um deles, como é o seu costume. Com uma coronhada, ele destrói o nariz de um deles antes que a multidão o espanque até cair.

Sou imobilizado por mãos que não vejo enquanto vejo-o caído no chão e sangue pingando de seu rosto.

Como num agouro, percebo que as vaias e gritos dos homens à nossa volta se aquietam.

O paredão de capangas se abre para revelar um homem de sobretudo vermelho, passo ante passo, em nossa direção.

Gangplank.

De perto, ele é muito maior do que dá para imaginar. Mais velho também. Suas feições são profundas e cinzeladas.

Ele segura uma laranja em uma das mãos, descascando-a com uma pequena faca de entalhar, aproveitando cada corte vagarosamente.

— Digam-me, rapazes... — ele diz com a voz profunda, quase um grunhido. — Vocês gostam de entalhar ossos?

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ATO TRÊS - PARTE UM

ATO TRÊS - PARTE UM

Sangue, Verdade, A Filha da Morte

O punho se bate contra a minha cara de novo. Eu caio com um baque duro, marcando o convés do navio de Gangplank. Algemas de gusa se afundam em meus pulsos.

Puxam-me para ficar de pé e sou forçado a ajoelhar ao lado de T.F., não que minhas pernas pudessem me dar sustentação, mesmo que este monte de leprosos me obrigasse a ficar de pé.

O maldito que me acertou entra e sai de foco.

— Ora essa, filho... — tento dizer, mas minha boca mal se mexe. — Você está fazendo do jeito errado. — o próximo golpe me pega de surpresa. Tudo o que sinto é uma explosão de dor e a madeira do convés se chocando contra mim. Sou forçado a ajoelhar de novo, cuspindo sangue e dentes. Mesmo assim, eu sorrio. — Minha mãe bate mais forte que você, rapaz. E ela come capim pela raiz já faz cinco anos. — o capanga avança para me derrubar de novo, mas uma palavra de Gangplank faz com que pare imediatamente.

 

 

 

— Já chega. — diz o capitão.

Meio cambaleante, tento me concentrar na silhueta borrada de Gangplank. Minha visão volta aos poucos e vejo, em sua cintura, a maldita faca que T.F. roubou.

— Twisted Fate, não é? Dizem que você é bom, e eu não sou de menosprezar um bom ladrão, — diz Gangplank, aproximando-se com o olhar fixo em T.F. — mas até mesmo um bom ladrão sabe que, de mim, não se rouba. — ajoelhado, ele me olha no fundo dos olhos. — E você... Se fosse só um pouquinho mais esperto, teria colocado sua arma para trabalhar para mim, mas já não há mais tempo para isto. — ele se levanta e fica de costas para nós. — Não sou um homem desmedido. Não espero que o mundo se ajoelhe. Tudo o que peço é o mínimo de respeito, algo no qual vocês mijaram sem cerimônia, e isto não pode passar sem punição.

 

 

 

Sua tripulação começa a se aglomerar, tais como cães à espera da ordem de ataque. Contudo, não me abalo; não lhes darei tal satisfação.

— Me faz um favor, — eu digo, indicando T.F. com a cabeça — comece por ele. — e Gangplank deixa escapar uma risada.

 

Ele acena para um de seus tripulantes, que começa a soar o sino do navio. A resposta vem em dezenas de outros sinos que o acompanham. Bêbados, marinheiros e vendedores começam a tomar as ruas, atraídos pela confusão. O sacana quer uma plateia.

— As Águas de Sentina estão de olho, rapazes. — diz o capitão — É hora de lhes dar um espetáculo. Tragam a Filha da Morte! — seu brado é comemorado, fazendo com que a madeira do navio estremeça com o clamor dos pés que lhe batem. Trazem um velho canhão, meio enferrujado e verde de tão velho, mesmo assim muito bonito.

 

Eu viro o olhar para T.F., cuja cabeça está baixa e não diz uma palavra. Tiraram as cartas dele depois que encontraram todas as que carregava. Não deixaram que ficasse sequer com aquele chapéu engomado idiota, que fora tomado por um patife qualquer e agora faz parte da multidão.

Em todos estes anos, ele sempre teve uma saída. Sem ela, aqui e agora, ele parece derrotado.

Ainda bem.

— Não é nada além do que você merece, seu traidor. — eu digo com um grunhido.

Ele me devolve o olhar e vejo que ainda há fogo dentro dele.

— Eu não me orgulho de como as coisas...

— Você me deixou lá para apodrecer! — eu o interrompo.

— Eu e todo o grupo tentamos planejar uma fuga para você. E eles morreram por isto! — ele me devolve com raiva. — Perdemos Kolt, Wallach e Tijolo, todos eles tentando salvar a sua pele teimosa!

— Mas você escapou, não é? — eu respondo. — Sabe por que? Porque você é um covarde. E nada do que possa dizer pode mudar isto. — minhas palavras o atingem como um soco no estômago. Ele não revida. O último brilho de luta dentro dele se apaga, seus ombros fraquejam. Ele está acabado. Nem mesmo ele consegue ser tão bom ator.

 

Minha raiva se apaga e eu, de repente, me sinto cansado; velho e cansado.

 

— Foi tudo para o inferno, e talvez a culpa seja de nós dois. — ele diz. — Eu não estava mentindo; nós realmente tentamos tirar você de lá. Mas não importa, você vai acreditar no que quiser de qualquer forma.

Preciso de um momento para digerir isto e de um momento ainda maior para perceber que eu acredito nele.

Maldito seja eu, ele tem razão.

Eu sempre fiz e ainda faço as coisas do meu jeito. Sempre que fui longe demais, ele cobria para mim. Ele sempre foi o cara com a saída, mas, naquele dia, eu não o ouvi. E não o ouvi mais desde então.

 

Agora, eu coloquei nós dois sob a guilhotina.

De repente, tanto eu quanto T.F. somos puxados pelos pés e arrastados em direção ao canhão. Gangplank o acaricia como se fosse um cão premiado.

— A Filha da Morte muito me fez bem. Estive esperando uma boa ocasião para me despedir dela.

Os marinheiros arrastam uma corrente pesada até o canhão e nele a enrolam. Já prevejo como isto vai terminar.

T.F. e eu somos colocados um de costas para o outro; a mesma corrente do canhão é amarrada às nossas pernas e algemas. Fecham o cadeado que nos prende às correntes.

Um portão de embarque no costado do navio é aberto e o canhão é empurrado para um lugar da abertura. Os cais e docas das Águas de Sentina estão lotados de observadores.

Gangplank descansa o calcanhar de sua bota no canhão.

— Bem, não consigo nos tirar desta. — diz T.F. sobre um dos ombros — Eu sempre soube que você me mataria algum dia.

Uma risada escapa de mim ao ouvir isto. Já faz muito tempo desde a última vez que ri.

Somos arrastados até a beira do navio, igual a gado prestes a ser abatido.

Acho que é aqui que minha história acaba. Foi uma longa jornada, mas a sorte de ninguém dura para sempre.

E é aí que percebo o que devo fazer.

Esticando-me através das algemas, com muito cuidado, encosto os dedos no bolso traseiro. Ela ainda está lá; a carta que T.F. deixou no armazém. Guardei para enfiar goela abaixo do imbecil.

Eles procuraram por cartas nele, mas não em mim.

Eu o cutuco. Presos pelas costas é fácil dar-lhe a carta sem ser visto, e percebo que está hesitante em pegá-la de mim.

— Vocês não valem uma moeda furada, mas vão servir. Deem minhas lembranças à Mulher Barbada. — são as palavras de Gangplank antes de acenar para a multidão e chutar o canhão para o lado. Ele bate na água com força e afunda rapidamente; a corrente no convés corre atrás dele.

 

Agora, no fim das contas, eu acredito nele. Eu sei que ele tentou de tudo para me tirar de lá, assim como o fez em todas as vezes que fugimos juntos. Desta vez sou em quem tem a saída. Ao menos isso eu posso dar a ele.

— Suma daqui. — eu digo, e ele começa a se mexer, girando a carta entre os dedos. Conforme começa a acumular o seu poder, sinto uma pressão desconfortável contra a minha nuca. Sempre odiei estar tão perto dele enquanto realiza o truque.

 

E aí, ele some.

As correntes que o prendiam caem sobre a madeira fazendo barulho e arrancando um grito da multidão. Minhas correntes ainda estão muito bem presas, tirando qualquer chance que eu tivesse de escapar, mas valeu a pena pela cara que Gangplank fez.

As correntes do canhão varrem meus pés para o alto. Eu atinjo o convés com força e grito de dor. Em um instante, sou arrastado para a beira do navio.

A água gelada bate em mim e arranca meu fôlego.

E aí estou debaixo d'água, afundando rapidamente, sendo arrastado para a escuridão.

ATO TRÊS - PARTE DOIS

ATO TRÊS - PARTE DOIS

Submersão, Briga contra a Escuridão, Paz

A carta que Malcolm coloca em minha mão poderia facilmente me levar até o cais. Estou muito perto da praia e, de lá, a multidão enorme é perfeita para que eu suma no meio. Posso sair desta imundice de ilha em menos de uma hora. E, desta vez, ninguém vai me encontrar.

Aí tudo o que consigo ver em minha mente é a cara dele, cheia de ódio, desaparecendo nas profundezas.

Filho da mãe.

Não posso deixá-lo. Não depois da última vez. Sem chance de fugir desta e eu já sei onde ir.

A pressão se acumula e eu desapareço.

No instante seguinte, estou atrás de Gangplank, pronto para fazer o que preciso.

Um de seus marujos me vê; parece perplexo, como se estivesse tentando entender de que forma eu cheguei aqui. Enquanto pensa, eu acerto sua cara com um soco, deixando-o inconsciente em meio a um aglomerado de marujos igualmente desnorteados. Todos eles viram em minha direção com alfanjes a postos. Gangplank lidera o ataque, indo direto para a minha garganta.

Só que eu sou mais rápido. Em um movimento eu passo por baixo do aço recurvo e tiro a preciosa adaga prateada do cinto dele. Ouço, às minhas costas, xingamentos o suficiente para partir um mastro em dois.

Salto para o convés, guardando a adaga em minhas calças no mesmo momento que o fim da corrente dispara em direção à lateral do navio. Eu me estivo e agarro o último elo de aço antes que desapareça em alto mar.

O puxão da corrente me arremessa para o lado, fazendo-me perceber o que fiz.

A água aproxima-se de mim rapidamente. Nesta fração de momento, congelado no ar, cada parte de mim quer largar a corrente. Estar ao lado de um rio a vida toda sem saber nadar sempre foi a minha praga e, agora, será a minha morte.

O tiro de um mosquete me acerta no ombro no momento em que puxava uma última golfada de ar. Eu grito de dor e perco o fôlego bem quando a água fria me golpeia o rosto e começo a afundar no sufocamento azul.

 

Este é o meu pesadelo.

O pânico se instala. Eu tento impedi-lo, mas é praticamente inútil. Mais tiros furam a água acima de mim enquanto afundo cada vez mais.

Tubarões e peixemônios circulam, sentem o sabor de sangue e me seguem cada vez mais fundo pelo abismo.

Tudo é aterrorizante. Já não sinto mais dor, mas ouço o coração muito alto e meu peito queima. Não posso deixar a água entrar enquanto a escuridão serpenteia à minha volta. Já desci muito, sem chance de voltar e só percebo isto agora.

Mas, talvez, eu consiga salvar Malcolm.

Ouço um baque abaixo de mim e a corrente afrouxa. O canhão bateu no fundo do mar.

Uso a corrente para me puxar para as sombras e vejo uma forma lá embaixo. Acho que é Graves. Fora de mim, arrasto-me na direção dele.

E lá ele está, bem à minha frente, embora eu mal possa ver sua silhueta. Acho que está sacudindo a cabeça de raiva por eu ter voltado.

Começo a perder a consciência. Meu braço está torpe e sinto meu crânio ser esmagado.

 

Tateio a escuridão e, por um milagre, encontro o cadeado das algemas dele. Uso a adaga para abri-la, assim como fiz com milhares de cadeados antes deste, mas minhas mãos não param de tremer.

Até mesmo ele deve estar aterrorizado. Seus pulmões já devem estar quase desistindo e a tranca não dá sinais de ceder.

O que ele faria?

Eu giro a adaga com mais força, chega de finesse, e algo cede.

Acho que cortei minha mão e sinto a adaga caindo abismo abaixo, mas... Brilhando?

Sobre mim, vermelho fulgurante. Vermelho e laranja... Em todo lugar. É belíssimo... Então isto é o que acontece quando se morre.

Eu rio.

A água entra.

Eu sinto paz.

ATO TRÊS - PARTE TRÊS

ATO TRÊS - PARTE TRÊS

Fogo e Ruína, Uma Conclusão, Guinada para o Pior

Miss Fortune olhava fixamente pelo ancoradouro do convés de seu navio, o Syren. O fogo se refletia em seus olhos enquanto assimilava o nível completo de destruição que havia causado.

Tudo o que restou do navio de Gangplank foram destroços incinerados. A tripulação estaria morta com a detonação, afogada em meio ao caos ou vindicada pelos peixemônios.

Foi glorioso: uma imensa bola de fogo iluminava a noite como um novo sol e metade da cidade testemunhou.

O próprio Gangplank tomou conta de tudo, assim como ela havia previsto. Ele mesmo apresentou Twisted Fate e Graves frente às Águas de Sentina. Ele lembrou a todos o porquê de não cruzar o seu caminho. Para Gangplank, as pessoas não passavam de ferramentas usadas para manter o controle; e assim ela fez para matá-lo.

Gritos e o soar de sinos ecoavam por toda a cidade portuária. Os comentários se espalhariam mais rápido do que o fogo: Gangplank está morto.

 

O canto de seus lábios retorceu-se em um sorriso.

Esta noite foi apenas o desfecho: contratar T.F., entregar Graves, e tudo só para distraí-lo. Anos foram necessários para que tivesse sua vingança.

O sorriso de seu rosto se esvaneceu.

Do momento em que ele invadiu a oficina de sua família, seu rosto oculto sob uma bandana vermelha, ela esteve se preparando para este momento.

Sarah perdeu ambos os pais naquele dia. Ela era apenas uma criança, mas ele não lhe poupou munição enquanto ela assistia a seus pais sangrando no chão.

Ele lhe ensinou uma dura lição: não importa o quão segura você se sente, o seu mundo — tudo o que você construiu, tudo com o que você se importa — pode lhe ser tirado em um instante.

Seu maior erro foi não ter a certeza de que ela estava morta. O ódio e a raiva que ela sentiu a sustentaram por toda aquela primeira noite fria e dolorosa; e cada noite em seguida.

Ela juntou, por quinze anos, tudo o que precisou com muita dificuldade, esperando até que não fosse sequer uma memória para ele, para que ele abaixasse sua guarda e ficasse confortável na vida que construiu. Só então ele seria capaz de perder tudo. Só então ele saberia qual é a sensação de perder seu lar; de perder seu mundo.

Ela deveria se sentir exultante, mas tudo o que sentia era um grande vazio.

Juntando-se a ela na amurada, Rafen tirou Sarah de seu devaneio:

— Ele se foi. Agora acabou.

— Não, — respondeu ela — ainda não. Ela virou de costas para o ancoradouro, pairando o olhar por toda Águas de Sentina. Sarah esperava que matá-lo apagaria seu ódio, mas tudo o que ela conseguiu foi alimentá-lo. Pela primeira vez, desde aquele dia, ela sentiu-se poderosa de verdade. — Isto é só o começo. Eu quero todos os que são leais a ele trazidos para julgamento. Quero a cabeça de todos os seus tenentes penduradas em minha parede. Queime cada bordel, taverna e armazém que tiver sua marca. E eu quero o corpo dele.

 

 

Rafen estava assustado. Ele havia ouvido palavras assim antes, mas nunca dela.

ATO TRÊS - PARTE QUATRO

ATO TRÊS - PARTE QUATRO

Céu Vermelho, Iscas ao Mar, Reconciliação

Eu pensei em um monte de maneiras pelas quais gostaria de escapar, mas, acorrentado igual a um cão no fundo do oceano? Esta nunca passou pela minha cabeça. Para minha sorte, T.F. consegue destrancar o cadeado das minhas algemas pouco antes de deixar a adaga cair.

Eu me solto das correntes, com sede de ar. Viro de frente para ele, que não se move. Agarro-o pelo colarinho e chuto a água em direção à superfície.

Conforme subimos, de repente, tudo se ilumina e brilha em vermelho.

Uma onda de choque me vira de ponta-cabeça; pedaços de ferro afundam ao nosso lado; um canhão afunda muito perto, seguido de um pedaço chamuscado de leme. Cadáveres também. Um rosto coberto de tatuagens me encara, chocado. A cabeça sem corpo lentamente segue seu caminho em direção à escuridão abaixo de nós.

Eu nado com mais velocidade, meus pulmões parecem explodir.

Uma eternidade depois, estou na superfície, tossindo água salgada e implorando pelo ar que é praticamente irrespirável: a fumaça me sufoca e rasga meus olhos. Eu já vi coisas queimando em minha vida, mas não igual a isto. Parece que alguém ateou fogo no mundo inteiro.

 

Percebo as obscenidades que murmuro enquanto assisto o navio de Gangplank desaparecido; destroços defumados espalhados por toda a costa. Ilhas de madeira flamejante caem por todo o lado, chiando quando encostam na água. Uma vela em chamas cai em minha frente, por pouco puxando eu e T.F. de volta ao fundo do mar. Homens, também em labaredas, desesperadamente pulam na água a partir de partes destruídas da embarcação, aquietando os próprios gritos. Tem cheiro do fim de tudo; enxofre, cinzas e morte; pele derretida e cabelos queimados.

É difícil manter T.F. acima d'água, o filho da mãe é bem mais pesado do que parece e o fato de que metade das minhas costelas está quebrada não ajuda. Eu encontro um pedaço de casco chamuscado flutuando por perto, parece estar bem sólido e coloco nós dois em cima dele. Não é exatamente um barco, mas vai dar para o gasto.

T.F. não respira. Eu golpeio seu peito com ambos os punhos cerrados. Logo quando começo a pensar que vou quebrar suas costelas também, ele regurgita um balde inteiro de água do mar. Eu relaxo e balanço a cabeça enquanto ele recupera os sentidos.

— Imbecil filho da puta! Para que você voltou?

Ele responde depois de um minuto.

— Quis saber como é fazer as coisas do seu jeito. — ele murmura, arrastando as palavras. — Ver como é estar na pele de um babaca teimoso. — ele cospe mais água. — É horrível.

Peixemônios e outras terríveis criaturas do mar começam a nos rodear. Puxo meus pés para longe da borda, não vou virar ração de nada hoje.

Um marinheiro mutilado sobe à superfície e se agarra à nossa balsa; eu o afasto com o calcanhar da bota no meio da cara e o empurro. O tentáculo grosso de algo se prende ao pescoço dele e o leva de volta às profundezas. Pelo menos agora os peixes têm algo com o que se ocupar.

Antes que não tenham mais o que comer, eu quebro um pedaço da nossa barca e o uso como remo para irmos embora daquele banquete borbulhante.

Parece que puxo a água para trás por muitas horas. Meus braços se cansam e doem, mas eu sei que é melhor não parar. Assim que abro distância entre nós e o massacre, caio de costas na madeira.

Sinto-me tão gasto quanto um cartucho de escopeta vazio enquanto olho para a baía, manchada de vermelho com o sangue de Gangplank e sua tripulação. Não há um sobrevivente à vista.

Não faço ideia de como ainda consigo respirar. Talvez eu seja o homem mais sortudo de Runeterra, ou talvez T.F. carregue sorte o suficiente para nós dois juntos.

Eu vejo um cadáver flutuando por perto, segurando algo familiar. É o capanga de Gangplank, ainda com o tal do chapéu que roubou. Eu o tiro dele e o jogo para T.F., que sequer mostra estar surpreso, como se tivesse a certeza de que o teria de volta.

— Agora precisamos encontrar sua arma. — ele diz.

— O que? Está com vontadinha de voltar lá para baixo? — eu respondo, apontando para o fundo do mar, afastando a ideia de seus pensamentos. — Não temos tempo. Sei lá quem fez isto, mas deixou Águas de Sentina sem um chefe. — eu lhe digo — A situação vai ficar feia por aqui, e rápido.

 

 

— Está dizendo que consegue viver sem sua arma?

— Talvez não, mas conheço um armeiro muito bom em Piltover.

— Piltover... — diz ele, perdido em devaneios.

— Dizem que a grana lá anda muito boa no momento. — e deixo-o pensar por um momento.

 

— Hmm, não tenho certeza se quero você como parceiro de novo. Você está ainda mais idiota do que costumava ser. — ele finalmente responde.

— Tudo bem, eu não tenho certeza se ter um parceiro que se auto intitula o "destino nefasto" é uma boa ideia. Quem diabos deu esse nome?

— Bom, é bem melhor do que o meu nome de verdade. — T.F. ri.

— Justo. — eu admito, sorrindo.

Parece igual ao passado. Meu sorriso vai embora e eu o encaro.

— Só uma coisa: se você me deixar para tomar a culpa de novo, eu explodo sua cabeça sem pensar duas vezes.

A risada dele se esvai e ele me encara de volta. Depois de um tempo, ele sorri.

— Negócio fechado.

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EPÍLOGO

EPÍLOGO

Caos, O Homem Arruinado, Propósito

Águas de Sentina devora a si mesma. As ruas soam com os gritos dos desesperados e moribundos. O incêndio nas partes mais baixas das favelas faziam chover cinzas por toda a cidade. Não havia mais controle; todas as gangues corriam para preencher o vácuo de poder deixado pela baixa de um único homem. Deu-se o início de uma guerra com três simples palavras: Gangplank está morto.

Ambições selvagens e rancores menores, arrastados por anos e anos, agora recebiam ação.

Nas docas, um grupo de baleeiros acabou com a vida de um pescador rival. Empalaram-no arpões e deixaram seu corpo pendurado em um espinhel.

No cume da ilha, portões altos e opulentos que lá estavam desde a fundação da cidade foram demolidos. O suserano covarde de uma gangue foi arrancado de seu sono por um rival. Seu choramingo fora silenciado sob o impacto que seu crânio teve com o chão da própria casa.

Ao longo da costa, um Quepe Vermelho em fuga tenta estancar um sangramento na própria cabeça. Olhando sobre os ombros ele não vê mais sinal de seus perseguidores. Os Anzóis Farpados se voltaram contra os Quepes e ele precisa voltar ao esconderijo para avisar seus homens.

Virou a esquina gritando por seus irmãos, chamando-os para empunhar armas e juntar-se a ele. Contudo, sua sede por sangue secou na garganta, pois bem na frente do esconderijo dos Quepes já havia um grupo de Anzóis; suas espadas banhadas em sangue. Entre eles, um homem rijo retorceu o rosto em um sorriso nefasto.

O Quepe só teve tempo para urrar uma última ofensa.

Do outro lado da baía, em um beco quieto, um médico tentava negociar. O ouro que recebeu era o suficiente tanto para seus serviços quanto assegurar seu silêncio.

Foi necessária meia hora para descamar o casaco encharcado da carne empapada do braço de seu paciente. O doutor já havia visto muitos ferimentos terríveis, mas até mesmo ele se encolheu inquieto perante o braço dilacerado. Pausou por um momento, aterrorizado com a resposta que suas próximas palavras poderiam provocar.

— S-Sinto muito. Não posso salvar seu braço.

Sob as sombras de um cômodo à luz de velas, as ruínas ensanguentadas de um homem se recompuseram antes de firmar-se sobre os pés. Sua mão que ainda funcionava disparou como um chicote e se prendeu ao pescoço do doutor trêmulo. Ele levantou o cirurgião lentamente, razoavelmente acima do chão, e o prendeu à parede.

Por um terrível momento, o bruto ali permaneceu, observando o homem em seu alcance, soltando-o repentinamente.

Perdido entre o pânico e a confusão, o curandeiro tossia violentamente enquanto a massa tenebrosa caminhava para o fundo da sala. Passando pela luz da lanterna dele, o paciente alcançou a primeira gaveta de um gabinete vistoso. Abriu-o, metodicamente, gaveta por gaveta em busca de algo. Por fim, ele parou.

— Tudo deve ter um propósito. — disse ele, olhando para o próprio braço mutilado.

Em seguida, puxou algo do gabinete e arremessou aos pés do doutor. Brilhando sob a luz da lanterna, estava o aço reluzente de um serrote.

— Corte-o, — disse o paciente. — eu tenho trabalho a fazer.

Lutadores do Mercado Clandestino

Em Águas de Sentina, tudo pode ser comprado

Como resultado da destruição do Presságio da Morte, os despojos de todos os armazéns de Gangplank foram saqueados e aqueles que eram leais ao nefasto pirata desfizeram sua aliança.

Receba e gaste cráquens para alistar tropas lutadoras e aprimorar suas habilidades, ataque ou defesa. Uma vez contratados, eles substituirão as tropas regulares e surgirão em cada remessa de todas as rotas pelo resto da partida.

Receba cráquens por diversas maneiras ao longo da partida.

  • • Um cráquem a cada sessenta segundos
  • • Dois cráquens para cada abate
  • • Um cráquem para cada assistência
  • • Um cráquem por monstro épico abatido
  • • Um cráquem por derrotar um monstro grande da selva inimiga

Use cráquens para aprimorar suas tropas lutadores, aumentando a sinergia de sua equipe ou explorando a fraqueza dos inimigos.

  • • Aprimore as habilidades dos lutadores
  • • Aumente o ataque dos lutadores
  • • Aumente a defesa dos lutadores

OBS.: Destruir um inibidor em Lutador do Mercado Clandestino não invoca super-tropas. Em vez disto, fortalece drasticamente todas as tropas e lutadores em tal rota.

Tipos de lutador

Ferrostas

(Corpo a corpo: infiltrador resistente.)

Aprimorar habilidades concedem um escudo, reduzem o dano de tropas ou de estruturas.

Oculópodes

(À distância: suporte utilitário)

Aprimorar habilidades concede escudos a tropas aliadas, vasculha a selva próxima com efeitos de Clarividência e aumenta a proteção contra emboscadas.

Sirinhões

(À distância: incomodar campeões.)

Aprimorar habilidades aumenta o controle de área, aumenta a Velocidade de Ataque e, eventualmente, causa dano a todos os campeões inimigos no alcance dos ataques.

Barbatâminas

(Corpo a corpo: perseguidor de campeões)

Aprimorar habilidades ajuda os Barbatâminas a perseguir campeões inimigos, causar Dano Verdadeiro e, eventualmente, dominar o inimigo em número.

Itens do Mercado Clandestino

Capítulo Perdido

O capítulo perdido de um antigo livro.

Ritual da Ruína

Destrua estruturas mais rápido do que nunca.

Grimório Passínfero

Concede velocidade adicional sempre que inimigos são atingidos por uma habilidade.

Varíolarcana

Feito com o Capítulo Perdido, este livro aflige inimigos atingidos por habilidades com uma praga. A praga pode ser exorcisada para causar mais dano.

Gambito do Mártir

Tanques podem compartilhar brevemente a dor de um campeão aliado, sacrificando parte de sua própria Vida para protegê-lo.

Couraça do Defunto

Acumule velocidade e embalo com esta Armadura enquanto corre por aí antes de colidir com inimigos, causando dano adicional.

Esfera das Trevas

Proteja aliados do perigo e receba ouro enquanto o faz.

Orbe do Logrador

Proteja aliados do perigo e receba ouro enquanto o faz.

Globo de Confiança

Proteja aliados do perigo e receba ouro enquanto o faz.

Garras de Tufão

Ao duelar contra um inimigo, use ataques-tufão periodicamente.

Vidro do Trapaceiro

Disfarça o seu possuidor como um campeão aliado para confundir inimigos.

Comecarne

Alimente esta espada com tropas para curar seu empunhador e aumentar o poder da lâmina.

Cajado da Água em Fluxo:

Concede um bônus de poder ao lutar no Rio, dando mais Regeneração de Mana e mais Velocidade de Movimento.

Titereiro

Aplica cordéis a alvos de ataques básicos, que podem ser puxados para reposicionar os inimgios afligidos.

Espada da Miragem

Marca alvos com um ataque básico. Em seguida, afasta-se do alvo marcado com um lampejo para ficar em segurança.

Encantamentos de Teleporte para Botas

Teleporta-se para a unidade aliada alvo.

ARAM na Ponte da Carnificina

Briga com seleção aleatória de campeões na Ponte da Carnificina

Outrora uma antiga ponte de pedra que levava à entrada de um templo, a Ponte da Carnificina não foi cuidada como deveria e hoje serve principalmente como a conexão entre as docas da matança e uma das favelas das Águas de Sentina.

Leia o blog do desenvolvedor

Skins do evento

750 RP

Graves Degolador

Ainda jovem, Malcolm Graves aprendeu o valor da vida humana. A partir daí, começou a cobrar mais para acabar com elas.

750 RP

Twisted Fate Punguista

Não levou muito tempo para que Twisted Fate descobrisse a importância de sempre ter um ás — ou uma faca de cortar alças de bolsa — na manga.

975 RP

Capitã Fortune

Conforme as marés queimam no coração do cáis, uma mulher se pôs à tarefa de remontar uma cidade quebrada. Tome o poder como a nova capitã da cidade, a rainha sem coroa das Águas de Sentina.

Skins inspiradas nas Águas de Sentina

750 RP

Quinn Corsária

Patrulhe os horizontes para outras embarcações e garanta o abate das criaturas marítimas como Quinn Corsária.

750 RP

Aatrox Caçador dos Mares

Persiga as bestas indomáveis por baixo das ondas e estraçalhe sua presa como Aatrox Caçador dos Mares.

750 RP

Garen Almirante Fugitivo

Comande um galeão caçador de monstros e traga glória à sua frota carniceira como Garen Almirante Fugitivo

Pacotes do evento

Pacote Veteranos de Águas de Sentina

50% de desconto

Artistas e designers inspirados pelas Águas de Sentina criaram skins de fantasias alternativas mesmo antes de a cidade tornar-se o cenário mais recente para um evento de League of Legends. Adicione estas skins clássicas à sua coleção com este pacote de preço flexível por 2996 RP (4118 RP caso precise dos campeões) até as 06h00 do dia 10 de agosto (horário de Brasília), incluindo Katarina Águas de Sentina, Swain Águas de Sentina, Rumble Ratazana do Mar (legado), Fiddlesticks Perna-de-Pau, Tristana Bucaneira e Ryze Pirata (legado).

Pacote Miss Fortune Caçadora de Recompensas

25% de desconto

Desfile no meio da briga com o Pacote da Caçadora de Recompensas! Este pacote flexível sai por 4547 RP (5139 RP caso precise da Miss Fortune), dura até as 06h00 do dia 10 de agosto (horário de Brasília) e inclui: Miss Fortune Fliperama, Miss Fortune Mafiosa, Miss Fortune Natalina (legado), Miss Fortune Guerreira das Estradas (legado), Miss Fortune Agente Secreta, Miss Fortune Vaqueira e Miss Fortune de Waterloo.

Skins de Sentinela

Serpente-Mãe
640 RP

Frota Carniceira
640 RP

Ícone - Insígnia de Águas de Sentina
250 RP

Campeões atualizados

Gangplank

Tudo deve ter um propósito; Gangplank acaba de redescobrir o seu. Leia mais sobre como o antigo rei dos piratas planeja retomar seu trono e confira abaixo o seu pacote de skins atualizadas.

Leia o blog do desenvolvedor

Miss Fortune

Os pequenos ajustes na mecânica de jogo e no visual de Miss Fortune estão disponíveis. Leia mais sobre a atualização da Caçadora de Recompensas aqui e confira abaixo o seu pacote de skins atualizadas.

Leia o blog do desenvolvedor

Recompensas de Águas de Sentina: Marés Ardentes

Em cada ato, escolha o campeão que deseja acompanhar.

Complete os objetivos para prosseguir com a história e habilitar recompensas de ícones de invocador

Seja parte da história das Águas de Sentina com cada objetivo que completar

Clique na experiência de recompensas de Águas de Sentina: Marés Ardentes em seu cliente de League para começar a ganhar recompensas agora mesmo!

Festas a Bordo

Venha à bordo dos Eventos da Comunidade

Venha à bordo dos Eventos da Comunidade

Águas de Sentina está tomando conta dos Eventos da Comunidade! Por tempo limitado, cadastre-se em Festas a Bordo especiais agendadas em locais presenciais de sua região e online pelo mundo todo. Cadastre-se em uma Festa a Bordo e junte-se a outros jogadores aventureiros enquanto compete no novo mapa de ARAM "Ponte da Carnificina" e no novo modo de jogo "Lutadores do Mercado Clandestino".

Miniatura de papel

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Conte a própria história de Águas de Sentina: Marés Ardentes! Imprima e monte um (ou três) destes campeões em papercraft.
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Graves, Twisted Fate, Gangplank

Águas de Sentina Marés Ardentes

O Acerto de Contas: Epílogo

Embora Twisted Fate e Graves tenham escapado, Águas de Sentina devora a si mesma conforme as ruas soam com os gritos dos desesperados e moribundos. Deu-se o início de uma guerra com três simples palavras: Gangplank está morto.